“…desafio das cidades no século 21 é o equacionamento da ocupação urbana…”
Os aglomerados urbanos do interior de São Paulo surgiram a partir da criação dos primeiros centros comerciais no entorno das estações ferroviárias para atender as necessidades da população que buscava residir próximo a casas comerciais e agências bancárias, para facilidade de acesso e valorização imobiliária. Entretanto, o crescimento urbano e o fim das ferrovias iniciou o esvaziamento das regiões centrais de grandes e pequenas cidades, cujos espaços com imóveis antigos e sem manutenção foram ocupados de forma irregular e se tornaram redutos de criminalidade e prostituição.
O fenômeno iniciado nos grandes centros, como São Paulo, que mantinha ruas centrais famosas que comercializavam os mesmos produtos, como a 25 de Março, de armarinhos, a rua das ferramentas, rua dos eletrônicos e até mesmo a rua das noivas, passou a ser substituído pelos grandes hipermercados e shopping centers, mais modernos e seguros, e que também se popularizaram. Em cidades médias, como Bauru, o centro velho no entorno da estação ferroviária se transformou em região quase desabitada, enquanto em cidades menores já se percebe maior oferta de imóveis residenciais e comerciais.
O grande desafio das cidades no século 21 é o equacionamento da ocupação urbana, que evite a expansão geográfica com população reduzida e revitalize as regiões centrais para manutenção da história, da memória e da vida comercial e de lazer, antes que qualquer projeto seja inviabilizado. A restauração de prédios históricos, a criação de centros gastronômicos modernos, de praças esportivas e áreas verdes seguras e de espaços de eventos públicos comunitários com boa infraestrutura são exemplos de medidas que podem manter ou revitalizar os espaços urbanos centrais de pequenas cidades.
Em Palmital, o Lanchódromo é emblemático ao utilizar uma área central nobre abandonada para uso comercial comunitário, seguido da revitalização dos grandes pátios da ferrovia e da criação de centro esportivo e de lazer, ainda que haja espaços que precisam ser ocupados pelo poder público. Quanto ao comércio, o setor deve ficar atento às mudanças irreversíveis, como a chegada de grandes supermercados, o aumento das compras virtuais e a venda do varejo residencial, que estão substituindo rapidamente as lojas físicas de maior custo de manutenção, mas que podem atender a demandas específicas, como de serviços, gastronomia e lazer.
CONFIRA TODO O CONTEÚDO DA VERSÃO IMPRESSA DO JORNAL DA COMARCA – Assine o JC – JORNAL DA COMARCA – Promoção: R$ 100,00 por seis meses.













