“…idolatrar as figuras abjetas que frequentam as urnas da combalida democracia…”
Os cerca de 2% do eleitorado brasileiro que ainda não decidiu o voto no segundo turno da eleição para presidente da república, tem poucas horas para fazer a escolha que vai definir o futuro do país, ainda que ambos os candidatos não representem os valores que esperam os indecisos.
Além dos números 13 e 22 disponíveis, existem apenas outras duas opções na urna eletrônica: a tecla branca, para o voto em branco, ou teclar um número diferente dos candidatos para que o voto seja anulado, ambos como forma de protesto e que não são computados para qualquer deles.
Entretanto, é preciso lembrar que o protesto contra a péssima qualidade dos nossos políticos não está incluída na agenda do grande eleitorado brasileiro, que se divide em duas facções inimigas que são atacadas e defendidas de forma absolutamente insensata e até mesmo irracional.
Caso essa minoria indecisa opte pelo protesto a que tem direito constitucional, a decisão não será sequer percebida na contagem final, uma vez que 98% dos que pretendem votar, seja pela paixão ou pela rejeição, já escolheram entre o menos ruim e o menos pior.
Os 50% de eleitores de Lula aceitam as mortes dos prefeitos de Santo André e de Campinas, a corrupção pelo Mensalão e Petrolão e as seguidas peripécias silenciosas do menino de ouro chamado Lulinha.
Os 50% de eleitores de Bolsonaro não acreditam na expulsão do Exército pela ameaça à própria instituição, no desvio de salários de funcionários e até de gasolina da Câmara dos Deputados, que ele deixou muita gente morrer de Covid, do envolvimento na morte de Mariele Franco, do desvio de colares e relógios do patrimônio público, que toda família vive de cargos e de corrupção, que foi adotada pelo Daniel Vorcaro e defende a milícia.
Observando o comportamento inexplicável e a convicção assustadora da grande maioria dos brasileiros, os indecisos, ou descrentes das lideranças atuais, se transformam em meros cidadãos despolitizados, insensíveis e sem opinião própria quando se mostram incapazes de idolatrar as figuras abjetas que frequentam as urnas da combalida democracia nacional.
Sem aceitar os desmandos e a malversação praticada em todas as instituições públicas e muitas particulares, incluindo as Forças Armadas, o Judiciário e grande parte da imprensa, os que não se apaixonam por algum corrupto ou bandido sofrem muito mais, tanto antes como depois das eleições.
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