O paradoxo da jogatina

“…jogos de azar sempre foram sinônimos de lazer para o povo, de disputa entre os operadores e de corrupção e de receita para os governo…”

A regulamentação, a proibição ou liberação dos jogos de azar é uma atribuição federal que desde sempre causa polêmica no Brasil onde a política do conservadorismo para o povo e do liberalismo para os ricos é mantida desde os tempos da Colônia.

Iniciando com os jogos de baralho, passando pelas corridas de cavalos, pelos cassinos e chegando aos jogos eletrônicas e às apostas em resultados do futebol, sem contar as loterias oficias de Estados e da União, os jogos fazem parte da cultura nacional.

O sistema de apostas mais brasileiro é, certamente, o Jogo do Bicho, que surgiu no Rio de Janeiro, em 1892, para levar visitantes ao Jardim Zoológico de Vila Isabel, com participação em rifa pela compra do ingresso com direito a um animal sorteado diariamente e oferecendo prêmio em dinheiro ao ganhador.

Considerado contravenção e jamais regulamentado, o Jogo do Bicho faz parte da cultura popular brasileira, é praticado em todo o país e se popularizou como financiador de eventos artísticos, principalmente do carnaval das Escolas de Samba, ao mesmo tempo em que a disputa pelo controle de territórios inseriu seus dirigentes na criminalidade.

Os cassinos, que surgiram junto aos grandes hotéis de turismo do Rio de Janeiro, como o Copacabana Palace, e o Quitandinha, de Petrópolis, sempre atenderam à elite econômica do país, assim como os Jockeys Clubs que se espalharam pelas principais cidades como sinônimo de desenvolvimento e luxo.

Paralelamente, os governos criaram as Loterias de números, que logo foram associadas pelos apostadores ao Jogo do Bicho e sempre serviram como fonte de receita para os cofres públicos.

Permeando toda a história do desenvolvimento social e econômico do país, os jogos de azar sempre foram sinônimos de lazer para o povo, de disputa entre os operadores e de corrupção e de receita para os governos, provando que a existência independe de regras, proibição ou liberação, uma vez que todas as modalidades são praticadas em todos os tempos, de forma livre ou clandestina.

A Mega Sena da Virada, que pagou prêmio de mais de Bilhão no final do ano, prova que os jogos fazem parte da cultura e do imaginário e alimentam a esperança dos brasileiros pela melhoria de vida sem esforço, enquanto os Cassinos proibidos, mas funcionando de forma clandestina, e as Bets regulamentadas e funcionando livremente, criam o paradoxo brasileiro dos jogos de azar. 

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