O quarto mandato e os prefeitos

“…prefeitos não influenciam o voto para presidente e a preferência ideológica do eleitor não influencia o voto para prefeito.”

Pelo sistema de distribuição de recursos da União para os municípios, que legalmente atende ao mecanismo de descentralização socioeconômico, o acesso a verbas federais é feito de transferências constitucionais, legais e voluntárias, que incluem emendas parlamentares.

O repasse constitucional é automático, as transferências legais dependem de leis específicas e as emendas são frutos de acordos políticos entre as prefeituras e os parlamentares que as indicam.

Considerando a hegemonia de presidentes da república eleitos pela esquerda, ou mais especificamente do PT – Partido dos Trabalhadores -, nos últimos 25 anos, que culminou com o quarto mandato do presidente Lula, e a prevalência de eleitores de direita nas cidades do interior de São Paulo, principalmente nas menores, como comprovam os mapas eleitorais, cabe aos prefeitos fazer a ponte entre as pequenas cidades e o governo federal.

Para tanto, é preciso entender que, comprovadamente,  prefeitos não influenciam o voto para presidente e a preferência ideológica do eleitor não influencia o voto para prefeito.

O engajamento exagerado de prefeitos em pleitos nacionais servem apenas para constranger eleitores de outros espectros ideológicos, que acabam silenciados em seus direitos de manifestação, ou faz com que a cidade seja incluída no mapa político dos adversários políticos de determinados presidentes.

Ao entender que o pleito nacional é absolutamente descolado das eleições municipais, os prefeitos de pequenas cidades devem adotar posturas mais isentas, de garantia à liberdade de escolha do munícipe e de distanciamento da polarização nacional que, de alguma forma, pode prejudicar o próprio município que ele administra.

O posicionamento isento do prefeito de Palmital, Luís Gustavo, nas eleições presidenciais deste ano, pode servir de exemplo para as lideranças políticas de pequenas cidades, com exceção aos vereadores, que representam os partidos envolvidos nas coligações nacionais, como forma de garantir a liberdade do eleitor e não se comprometer com campanhas que, independentemente de suas posições, podem ser derrotadas e se transformar em oposição.

Junto à competência administrativa e ao bom senso nas decisões, a sabedoria política é essencial para que a posição do prefeito não prejudique a cidade, como acontece em Palmital, município que mais recebe recursos estaduais e federais na região.

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Cláudio Pissolito

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