Pai pediu à filha para ser doador de órgãos duas semanas antes de ter morte cerebral: ‘Salvou vidas’
Compartilhe

“Ele salvou outras vidas, é isso o que importa”. Foi dessa forma que a filha de um homem de 57 anos descreveu o pai, que contou sobre o desejo de ser doador de órgãos duas semanas antes de morrer.

 

Os rins, fígado e córneas foram captados nesta quarta-feira (5) no Hospital São Vicente em Jundiaí (SP), e serão encaminhados para atender pacientes ansiosos por uma chance.

 

Internado desde o dia 31 de julho na unidade hospitalar, José Edilson Barboza trabalhava em um empório. Ao tropeçar em uma escada, acabou batendo a cabeça. Com a força da batida, acabou não resistindo e morreu, segundo informações do hospital.

 

A filha, Maria Alexandra Barboza, de 35 anos, contou ao G1 que o pai falou sobre a doar seus órgãos, inesperadamente, pouco tempo antes de morrer. Ela disse que ele nunca havia mencionado essa vontade.

 

“Cerca de duas semanas atrás, por coincidência, ele disse que queria ser doador, caso acontecesse alguma coisa com ele. Disse que ‘se tudo estivesse bom’, era para doar”.

Segundo Maria, o pai era uma pessoa viva e alegre. Ela contou que ele fazia parte de uma banda de forró, onde era um dos cantores. O pai também cuidava do irmão caçula de 11 anos, que agora está sob os cuidados da irmã.

 

“Ele sempre foi uma pessoa alegre e cheio de vida. Cantava forró numa banda da cidade, estava sempre querendo ajudar as pessoas. Cuidava do meu irmão, eles estavam sempre juntos, eram muito grudados. Sempre tive respeito e muito amor por ele”.

 

Ao relembrar a personalidade e a ação que o pai decidiu ter, Maria Alexandra explicou que acreditava que um milagre poderia acontecer e, segundo ela, de fato aconteceu.

 

“Os médicos tentaram bastante, fizeram de tudo para ele sobreviver. A gente tinha fé que o milagre iria acontecer. No fim, aconteceu, pois ele salvou outras vidas. O milagre não era ele viver, ele não tinha mais chances, mas ele salvou outras vidas, é isso o que importa”, disse.
Com a pandemia de coronavírus, os números de doadores de órgãos caiu no estado de São Paulo. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, em 2019 foram feitas 322 cirurgias de transplante contra 107 cirurgias em 2020.

Fonte: G1

Compartilhe