Pandemia politizada
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“…em vez de priorizar o interesse público, o que sempre se sobrepõe são os interesses partidários…”

A democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela”. A frase atribuída a Winston Churchill, que se tornou emblemática na defesa desse regime quase universal, sempre se esbarra na questão político-partidária, justamente o pilar da democracia e causa de seus principais defeitos.

As defecções não estão na política, cuja acepção é considerada como a arte de governar os povos e fazer justiça social, mas sim nas formas como é praticada, pois em vez de priorizar o interesse público, o que sempre se sobrepõe são os interesses partidários, pessoais e de grupos.

A grande pandemia do Novo Coronavírus em escala mundial, a primeira depois da globalização social e econômica, está servindo de teste para as lideranças de todos os países, sejam de regimes democráticos presidencialistas ou parlamentaristas, monárquicos em todas as suas variáveis ou autoritários nas ditaduras autocráticas e também nas colegiadas.

E, para horror dos defensores da democracia e da liberdade de escolha do cidadão, são justamente os países mais autoritários e concentradores de poder que estão atravessando a crise sanitária e de saúde com menos doentes e mortos.

Como o regime democrático tem base na alternância do poder e os mandatários são escolhidos pelo sufrágio livre, universal e secreto, as organizações partidárias e suas lideranças se engalfinham em disputas continuadas que permeiam todos os períodos dos mandatos, quando os titulares deveriam se concentrar apenas no trabalho de bem administrar com respeito a normas e leis.

Diante da disputa permanente que se trava, as decisões mais importantes não são necessariamente pautadas pela necessidade de enfrentar dificuldades, mas quase sempre guiadas pelas informações colhidas junto aos especialistas em comunicação e marketing.

Não por acaso, o Brasil enfrenta a pandemia com enorme dificuldade, sem coordenação e com o antagonismo calculado do governo federal, cujo titular aposta em seus jogos de retórica para atender aos anseios de seu eleitorado e denegrir o trabalho de possíveis adversários que, por suas vezes, apostam em resultados futuros de superação do caos por meio de restrições e da vacinação.

Como a memória do eleitor médio não ultrapassa os limites da liberdade e do bem-estar pessoal, é provável que até as eleições todos já tenham esquecido tanto os esforços feitos como também os muitos mortos.

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