Parole, parole…
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*José Renato Nalini

            A política é o espaço da parolagem. Não conhece este termo? Veja no dicionário e seus sinônimos são arenga, bacharelice, gralhada, gralheada, jactância, palanfrório, prosa, rusticidade, saloiada. Existe no vernáculo o verbo parolar: além de outros verbetes, significa farfalhar, galrar, linguarejar, mentir, palrar, parouvelar, parronar, patornear, tagarelar e taramelar. Ou seja: é aquele uso irrefletido da verborragia. Falar muito e dizer pouco.

            Pois o czar americano da maior preocupação de Joe Binden, o eminente John Kerry, que já foi eminência parda na gestão Barack Obama, mandou um recado ao Brasil: “Esperamos ações imediatas e engajamento com as populações indígenas e a sociedade civil para que este anúncio possa produzir resultados tangíveis”.

            O anúncio era a promessa do governo brasileiro de retomar o combate ao desmatamento. Para quem desmanchou as estruturas protetivas da natureza, hostilizou as Organizações Não Governamentais e desprezou o Terceiro Setor, será uma radical transformação assumir um diálogo com a sociedade civil. Os indígenas também não estão sendo bem tratados por esta gestão. Que o digam aqueles envenenados com mercúrio pelo garimpo ilegal, estimulado pelo governo. Ou os ligados às inúmeras vítimas da Covid19, peste levada ao indígena, em reedição – mais cruel – daquilo que os lusos trouxeram para os verdadeiros donos da terra, quando “acharam” o Brasil.

            Os Estados Unidos não estão de brincadeira com o Brasil. No mesmo dia em que John Kerry, o mais respeitado diplomata em atuação, ex-candidato a Presidente da República, mandava o recado, quinze senadores democratas endereçaram correspondência oficial a Biden: só ofereça assistência ambiental se o governo mostrar progresso significativo e sustentado na redução do desmatamento e no fim da impunidade por crimes ambientais.

            Tais senadores, dentre eles os presidenciáveis Bernie Sanders e Elizabeth Warren, escreveram que o governo brasileiro “deu sinal verde” para atividade criminosa na Floresta Amazônica. Por isso, a crença americana generalizada é a de que o Brasil, por enquanto, só proferiu “parole, parole” e nada de concreto fez para mudar o rumo nefasto rumo ao ecocídio. Esperemos que haja um “estalo de Vieira” para a salvação da Amazônia e de outros biomas brasileiros.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.  

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