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No Antigo Testamento, a narração do Êxodo, sobre a passagem do anjo exterminador, explica o significado da páscoa para um povo que vivia há 400 anos escravo nas terras do Egito: “No dia dez deste mês, cada família tome um animal, um animal para cada casa (…). O animal será escolhido conforme o número de pessoas e conforme cada uma puder comer (…) deve ser macho, sem defeito, e de um ano. Vocês o escolherão entre os cordeiros ou entre os cabritos, e o guardarão até o dia catorze deste mês, quando toda a assembleia de Israel o imolará ao entardecer. Pegarão o sangue e o passarão sobre os dois batentes e sobre a travessa da porta, nas casas onde comerem o animal. Nessa noite, comerão a carne assada no fogo e acompanhada de pão sem fermento com ervas amargas. Vocês devem comê-lo assim: com cintos na cintura, sandálias nos pés e cajado na mão; vocês o comerão às pressas, porque é a páscoa de Javé.

Nessa noite, eu passarei pela terra do Egito, matarei todos os primogênitos egípcios, desde os homens até os animais. E farei justiça contra todos os deuses do Egito. Eu sou Javé. O sangue nas casas será um sinal de que vocês estão dentro delas: ao ver o sangue, eu passarei adiante. E o flagelo destruidor não atingirá vocês, quando eu ferir o Egito. Esse dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão uma festa de Javé. Vocês o celebrarão como um rito permanente, de geração em geração” (Ex 12,12-14).

Com a passagem do anjo, o Povo de Deus é lançado ao Deserto, numa luta de renhida para alcançar a libertação, tão longamente esperada: sai do Egito e vai para a Terra Prometida; sai da escravidão e vai para a liberdade. Isso custa 40 anos de caminhada, numa história de muitas quedas e reergimentos, de fidelidade e infidelidade… E Deus nunca desistiu do seu povo.

No Novo Testamento, a narração de João 13,1ss e dos evangelhos sinóticos (Mt 26,17ss; Mc 14,12ss e Lc 22,7ss) fazem o registro de uma reunião de Jesus com seus discípulos para celebrarem a páscoa judaica; aquela anunciada em Ex 12. Mas, no meio da ceia, enquanto comiam, Jesus faz a “passagem” a sua páscoa: “No primeiro dia dos ázimos, os discípulos se aproximaram de Jesus, e perguntaram: ‘Onde queres que façamos os preparativos para comermos a Páscoa?’ Jesus respondeu: ‘Vão à cidade, procurem certo homem, e lhe digam: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo, eu vou celebrar a Páscoa em sua casa, junto com os meus discípulos.’  Os discípulos fizeram como Jesus mandou, e prepararam a Páscoa. Ao cair da tarde, Jesus se pôs à mesa, com os doze discípulos.

Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção, o partiu, distribuiu aos discípulos, e disse: ‘Tomem e comam, isto é o meu corpo.’ Em seguida, tomou um cálice, agradeceu, e deu a eles dizendo: ‘Bebam dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados. Eu lhes digo: de hoje em diante não beberei desse fruto da videira, até o dia em que, com vocês, beberei o vinho novo no reino do meu Pai.’

Depois de terem cantado salmos, foram para o monte das Oliveiras. Então Jesus disse aos discípulos: ‘Esta noite vocês todos vão ficar desorientados por minha causa, porque a Escritura diz: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão. Mas depois de ressuscitar, eu irei à frente de vocês para a Galiléia” (Mt 12,12-32).

Com a passagem de Jesus, o Novo Povo de Deus é colocado diante da Cruz de Cristo, para uma Nova História de Salvação: sair do pecado para a graça e da morte para a vida. Morte e ressurreição: nisso está a profundidade do Mistério Pascal de Cristo.

Páscoa é, portanto, passagem! Você está disposto a esta viagem?

Seja como for, nós somos caminhantes… para algum lugar devemos seguir viagem.. Você pode, muito bem, aproveitar a ‘páscoa-passagem’ de Cristo e seguir avante. O ‘bilhete’ já está pago a preço de sangue.

O tempo não pára! Aliás, “o tempo se cumpriu e o Reino de Deus está próximo!” O Cristo te espera! Feliz páscoa! Boa Viagem!

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