O delegado Giovani Bertinatti concedeu entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (04/03) para falar sobre os resultados da investigação da morte do pedreiro Samuel Silva, popularmente conhecido como Alemão, ocorrida na terça-feira da semana passada (24/02) no Parque Colinas, em Assis. Ele foi espancado por um comerciante, proprietário de um mercado onde havia furtado uma garrafa de cachaça, e sofreu traumatismo craniano que levou à sua morte. O caso teve grande repercussão, pois o autor gravou as agressões e divulgou o vídeo em redes sociais.
De acordo com informações policiais e imagens de câmera de monitoramento, Samuel entrou no mercado e subtraiu uma garrafa de bebida de R$ 4,50. Em seguida, foi perseguido pelo proprietário do mercado e violentamente agredido em um terreno nas proximidades do estabelecimento. Durante a entrevista coletiva, Bertinatti destacou o trabalho da Polícia Civil em identificar e prender rapidamente o autor, que alegou estar cansado de ser furtado e disse que tinha o objetivo de “aplicar um corretivo” na vítima.
O delegado ressaltou que o pedreiro não tinha passagens por crimes nem histórico de violência, sendo dependente de álcool. Bertinatti também confirmou que as lesões causadas pelo espancamento resultaram na morte do pedreiro. “O Samuel faleceu em razão das diversas agressões físicas que sofreu, em razão dos golpes que atingiram sua cabeça, ocasionando o traumatismo crânioencefálico, que foi a causa principal do óbito. Também é importante destacar que o Instituto Médico Legal apontou que o Samuel possuía lesões majoritariamente na região da cabeça e da face”, completou o delegado.

Em razão de todo esse contexto, explicou Bertinatti, houve o indiciamento do comerciante por homicídio doloso, com qualificadora de motivo fútil — por se tratar de um objeto de baixo valor — e por exercício arbitrário das próprias razões. O delegado informou também que o relatório do inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que vão definir se o autor será formalmente processado e posteriormente julgado pelo Tribunal do Júri.
Bertinatti acrescentou que o autor é professor aposentado de capoeira e, portanto, “tinha um conhecimento bastante aprofundado sobre como agredir”. O delegado também comentou a justificativa do acusado, que disse ter filmado as agressões como forma de protesto contra os furtos que ocorriam em seu mercado. “Contudo, fizemos um levantamento e, apesar de ele alegar que é constantemente vítima de furtos naquele local, nunca registrou nenhuma ocorrência policial. É incongruente afirmar que sofre reiterados furtos e nunca chamar a polícia”, destacou.
“E aqui fica a orientação para todos, principalmente para os comerciantes: se forem vítimas de crime, chamem a polícia. As pessoas serão presas e responsabilizadas. Não é admissível praticar justiça com as próprias mãos. Tragédias como essa podem voltar a acontecer se os comerciantes insistirem nesse caminho. Então eu recomendo: foi vítima de furto? Se conseguir deter a pessoa naquele momento, segure, não agrida, chame a polícia ou registre a ocorrência depois conosco”, finalizou o delegado.













