“…formas precárias de moradia arrastaram negros e brancos aos morros e às periferias.”
A proliferação de favelas e cortiços nas cidades brasileiras é prova inequívoca da ineficiência das políticas públicas voltadas à moradia ou, mais provavelmente, do desinteresse dos governantes em evitar, conter e erradicar as “cidades paralelas” que surgem na esteira da incompetência estatal.
Surgidas nos tempos da abolição do vergonhoso e longo período da escravatura, cuja abolição não previu a necessidade de inserção social e econômica do enorme contingente populacional libertado, as formas precárias de moradia arrastaram negros e brancos aos morros e às periferias.
Expostos a condições insalubres pela falta de saneamento, sem acesso a transporte ou sequer a um endereço para informar no Departamento de Recursos Humanos dos empregadores, as populações faveladas e marginalizadas mergulharam em decadência moral e de valores.
Sofrendo preconceito, com baixa autoestima e sem acesso aos bens básicos de consumo, incluindo alimentação, vestuário e medicamentos, criou-se e aprofundou-se o apartado racial, social e econômico que divide o país em castas distintas e distantes umas das outras, como estopim da criminalidade facilitadora da ascensão ou da sobrevivência.
O aumento das populações faveladas ou encortiçadas nos territórios populares surgidos da falta de moradia à população de baixa renda propiciou o aparecimento da economia paralela em crescimento permanente e que atraiu a economia formal.
A partir de então, surgiram os programas de regularização fundiária ou de urbanização de favelas, não pelo interesse em atender às demandas históricas das populações, mas para explorar o enorme naco econômico que continua crescendo nas periferias das cidades informais.
Os principais beneficiados pelos programas de urbanização ou regularização de favelas são os políticos, que prometem benefícios a troco de votos, os governos, que passam a aplicar taxas de serviços públicos sobre moradias e impostos sobre o comércio, assim como o chamado “mercado” representado pelas grandes empresas, que passa a explorar o potencial econômico nestes grandes rincões.
O modelo é perverso ao manter a fissura social histórica e, principalmente, a distância segura entre pobres e ricos, sem abrir mão do direito de taxar e explorar os recursos oriundos da atividade econômica criada com o esforço individual e coletivo dos pobres favelados que jamais receberam atenção ou incentivo dos governos.
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