“…poeira que respiramos diariamente, formada pelas partículas de solo, cinzas, fuligem e materiais orgânicos e minerais…”
A poluição ambiental rural surgiu a partir do uso de fertilizantes químicos em substituição aos naturais e pela aplicação de calcário, agravada com a chegada dos primeiros herbicidas de longo espectro que combatem praticamente todas as espécies de plantas invasoras.
As queimadas feitas para limpeza de áreas de plantio e colheita de cana se somaram às práticas inadequadas e nocivas à saúde humana que transformaram a agricultura em atividade de elevado potencial poluidor das terras, das águas e do ar, tanto no meio rural quanto no urbano.
Com o fim das plantas perenes, como o café, e a erradicação das matas, as chamadas terras nuas, adaptadas para o plantio de grãos, se tornaram mais refinadas pelo uso de equipamentos de subsolagem e de quebra de terrões, transformando o solo em camadas cada vez menos espessas e mais suscetíveis aos efeitos do manuseio e dos ventos.
As mudanças radicais na agricultura criaram um novo e perigoso vetor de poluição, que é a poeira que respiramos diariamente, formada pelas partículas de solo, cinzas, fuligem e materiais orgânicos e minerais finos que permanecem suspensos no ar, levantados pelas correntes de ventos, principalmente durante os períodos de seca.
A poeira de composição bastante variada, seja pelos próprios minerais do solo como óxido de silício, óxido de alumínio, óxido de ferro e calcário, somados aos materiais orgânicos provenientes de plantas e das queimadas e os resíduos de adubos e muitos herbicidas, formam elementos desconhecidos e potencialmente perigosos.
Sob efeito das correntes de ventos, os materiais poluidores do solo são transportados à atmosfera e se agregam às nuvens mais profundas, causando modificação até mesmo no regime de chuvas ao atuar como núcleo de condensação.
Essa enorme gama de materiais poluidores presentes na atmosfera e formadores de chuvas mais intensas causam efeitos desconhecidos sobre a saúde humana, animal e da própria agricultura que já sofre as consequências da chamada chuva ácida, responsável pelo enfraquecimento das plantas.
Como solução, usa-se mais produtos químicos para fortalecimento das lavouras e modificações genéticas das sementes para suportar a enorme gama de novos materiais necessários para garantir a produção e a produtividade, transformando as grandes nuvens de poeira, com as quais convivemos, em verdadeiras incógnitas para a própria ciência agrária.
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