Polícia Civil deflagra operação contra organização criminosa que extorquiu R$ 24 milhões com falsos namoros virtuais; uma vítima era de Ourinhos
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A Polícia Civil deflagrou a Operação Anteros na nesta terça-feira (15) em diversos estados do país. De acordo com a corporação, as investigações identificaram uma organização especializada em fraudes pela internet em que os criminosos utilizavam perfis falsos maliciosos para aplicar golpes. Foram identificadas 437 vítimas e um prejuízo estimado em mais de R$ 24 milhões. Em Ourinhos um homem relatou ter sofrido este tipo extorsão e registrou o caso na ultima sexta-feira (11/12).

Ainda segundo a polícia, a Operação Anteros é uma fase que teve origem com a Operação Voo de Ícaro, que teve o objetivo de desarticular uma organização criminosa que atuava em estabelecimentos prisionais com a entrega de materiais com drones, no ano de 2019. Com a análise de celulares de presos naquela ação, foi identificada uma “farta movimentação bancária”, que motivou uma nova etapa investigativa.

O nome escolhido foi em respeito ao sentimento das vítimas. Na mitologia grega, Anteros é o deus do amor retribuído, literalmente “amor devolvido” ou “contra-amor” e também punidor daqueles que desprezam o amor e os avanços de outros ou o vingador do amor não correspondido. É o Deus da desilusão, ordens, manipulação.

Com o uso de ferramentas de inteligência e investigação formal, que perdurou por mais de 1 ano, os investigadores descobriram uma complexa organização criminosa que possui tentáculos em diversos países e grande atuação no Brasil.

Conhecidos por “romance scammers” os criminosos são especializados em fraudes (golpes) na internet utilizando perfis maliciosos (fakes) onde, depois de cooptadas as vítimas, iniciavam as extorsões e com os valores recebidos, em lavagem de capitais em, ao menos, 24 Estados da Federação.

Os crimes eram cometidos através de redes sociais ou por aplicativos de namoros virtuais, onde os criminosos enviavam solicitação de amizade a potenciais vítimas, em especial funcionários públicos, idosos, independente do sexo, porém, todas elas detentoras de faixa salarial que demonstrava poder aquisitivo superior (identificadas por pesquisas em redes abertas, exemplificativamente, as redes sociais).

COMO OS CRIMINOSOS ATUAVAM:

Após contatos iniciais de amizade, sempre sutis e de diálogo convincente, iniciavam o namoro virtual e aos poucos as vítimas em sua maioria acabavam por enviar fotos ou vídeos íntimos que posteriormente eram utilizados na extorsão.

Um dos exemplos é a do “fakelover” (denominação dada pela investigação ao núcleo que mantinha os contatos diretamente com as vítimas) cujo autor declarava morar no exterior e informava que recebeu uma herança e precisava enviar para o Brasil, incentivando a vítima a ajuda-la com promessa de vantagem.

Assim, solicitava para a vítima receber o material em sua residência, contudo quando o suposto material “chegava” ao Brasil, outra pessoa se passando por funcionário da alfândega contatava a vítima e informava que por tratar-se de material cujo ingresso no país necessitava do pagamento de impostos, precisava da quitação do imposto de importação, mas que por um valor menor conseguia a liberação do material. A vítima acaba por realizar esse pagamento e marcava a data da retirada do produto. Nessa data, novamente recebia ligação informando que para a liberação o valor era em dólares e a vítima havia depositado em moeda brasileira, necessitando de complementação. Também outros artifícios utilizados como taxas de diplomacia, taxas de transporte de valores, etc. Como a vítima, mesmo realizando todos os depósitos solicitados não conseguia a liberação do material (inexistente). Ao insistir que queria o produto ou iria denunciar a polícia, por vezes, os criminosos consumavam outro crime, agora, ao informar que a vítima havia caído em um golpe ameaçam que se denunciassem às autoridades terá suas fotos comprometedoras seriam divulgadas em redes sociais. E, dessa forma, exigia ainda mais valores para a não consumação.

Esse tipo de crime, segundo os investigadores, ocorre desde 2014, contudo muitas vítimas por vergonha, constrangimento e medo acabaram não denunciando o fato para a polícia, beneficiando nesses anos os marginais e o enraizamento da organização criminosa no Brasil.

A Polícia Civil conseguiu demonstrar como a organização criminosa era estruturada: existia a figura do “Fakelover” (responsável por contatar as potenciais vítimas). Outro ramo da organização era o denominado “o oficial” que se passava por funcionário da alfandega, diplomatas e outros. Haviam também a ala dos “recrutadores” de contas e também os “operadores” (aqueles que repassavam o dinheiro rapidamente entre várias contas, após o depósito, dificultando o rastreamento). Ligados a estes, os “correntistas” (que recebiam de 7 a 10% dos valores arrecadados somente para emprestar sua conta corrente e fomentar a operacionalização, proporcionando o aumento crescente dos crimes, como eixo necessário de um mesmo mecanismo).  Por fim, os agentes da lavagem de capitais cuja finalidade é “esquentar”, ou seja, tornar o dinheiro ilegal em lícitos imóveis.

Durante as investigações foram identificadas 437 vítimas que registraram ocorrência dessa mesma natureza criminal e que tiveram prejuízo superior aos 24 milhões de reais. Em todos os Estados da Federação, contando as subnotificações, os números superam 2 mil vítimas que tiveram um prejuízo estimado, nos últimos três anos, de 250 milhões movimentados por essa organização criminosa.

O Delegado de Polícia responsável pelas investigações, além de determinar o indiciamento de 210 pessoas, representou pelas medidas cautelares, com parecer favorável do Ministério Público Paulista e deliberação convergente do Poder Judiciária, pela decretação de 181 mandados de prisões preventivas, 216 mandados de busca e apreensão e o sequestro de 5 milhões de reais (entre bens móveis e imóveis), além do bloqueio e também sequestro bancário de 329 contas (de pessoas físicas e jurídicas) visando afastar a continuidade dos delitos, protegendo as vítimas iminentes, bem como na tentativa de recuperação e devolução dos valores desviados.

A Polícia Civil conseguiu demonstrar como a organização criminosa era estruturada:

Fakelover: responsável por contatar as potenciais vítimas.

Oficial: se passava por funcionário da alfândega, diplomatas e outros

Recrutadores de contas/operadores: aqueles que repassavam o dinheiro rapidamente entre várias contas, após o depósito, dificultando o rastreamento.

Correntistas: recebiam de 7% a 10% dos valores arrecadados somente para emprestar sua conta corrente e fomentar a operacionalização, proporcionando o aumento crescente dos crimes, como eixo necessário de um mesmo mecanismo.

Agentes da lavagem de capitais: tinham a finalidade é “esquentar”, ou seja, tornar o dinheiro ilegal em lícitos imóveis.

Até às 8h de terça-feira (15/12), foram cumpridos 70 mandados de prisão nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Ceará, Bahia, e Roraima.

Fonte: Passando a Régua

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