Apuração do feminicídio indicou violência doméstica anterior; denúncia contra o acusado foi acolhida pela Justiça

A Polícia Civil concluiu a apuração da morte da dona-de-casa Cristiane Hidalgo Pinheiro, de 41 anos, que foi degolada no dia 16 de março pelo marido, o servente de pedreiro Jeferson Luiz da Costa, de 40 anos. A investigação concluiu que o acusado praticou feminicídio com as agravantes de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima ao utilizar um canivete para cortar a garganta da mulher durante confraternização na residência de amigos, no final da Rua Laudelino Baptista da Rocha, no acesso ao antigo recinto da Fapip. Após o crime, ele tentou suicídio ao cortar o próprio pescoço, mas causou apenas lesões superficiais e foi preso pela PM quando tentava fugir.

De acordo com informações policiais, o casal teria discutido durante a festa e Jeferson saiu da casa, mas voltou em seguida para retomar a briga. O servente desferiu uma canivetada no pescoço na mulher, que caiu ao chão. Em seguida, teria levantado o queixo e feito a degola com um corte profundo de canivete de um lado a outro da região da garganta.

Em seguida, o marido provocou autolesões superficiais no próprio pescoço e, quando chegou a Polícia, tentou fugir, mas foi detido e levado ao Pronto-Socorro Municipal e depois apresentado na Delegacia de Palmital, onde foi autuado em flagrante.

Jeferson usou o direito de se manter em silêncio e se manifestar apenas perante a Justiça. As testemunhas identificadas na ocorrência também apresentaram poucas informações que possibilitassem elucidar os motivos do crime. Porém, o delegado Giovanni Bertinatti apurou que o acusado tinha histórico de violência, com passagem por prática de lesão corporal em 2014, além de ter sido agredido com uma paulada na cabeça durante briga na região do bairro São José, em ocorrência que não teve a autoria esclarecida. Devido à lesão, ele acabou internado na UTI. Em 2016, o acusado também teria tentado suicídio ao se enforcar com uma corda na frente da ex-mulher.

AMIGA – Bertinatti disse ao JC que, durante o inquérito, conseguiu localizar uma amiga que chegou a dar detalhes da vida de Cristiane e de seu relacionamento com Jeferson. A testemunha disse que a vítima sofria ameaças e violência por parte do marido, confidenciando que uma semana antes do crime ela apresentava hematomas nas costas, certamente causados por agressão praticada pelo acusado.

O delegado concluiu que a situação é típica de subnotificação em casos de violência doméstica, em que a mulher é ameaçada e não leva o caso às autoridades. “Se tivesse procurado a Polícia Civil para relatar as agressões e pedir uma medida protetiva, é possível que não chegaria à situação de um homicídio”, enfatizou.

O delegado disse que tomou conhecimento pela imprensa que o advogado de Jeferson está alegado incidente de insanidade, mesmo que ainda não o tenha solicitado formalmente a medida no processo, mas acredita que o réu esteja em plenas condições de ser julgado devido ao modus operandi, à barbárie e ao histórico de violência que apresentava.  “Caso o pedido seja feito à Justiça, certamente essa situação de insanidade não deverá ser comprovada por um médico psiquiatra que venha a ser designado para a avaliação do réu”, acredita Bertinatti.

O chefe da Polícia Civil disse que Jeferson está com prisão preventiva decretada e deve permanecer preso até o final do processo. A defesa do acusado até apresentou um pedido para de liberdade provisória, mas que foi negado pelo juiz Luís Fernando Viana em decisão proferida na segunda-feira da semana passada.

A denúncia do Ministério Público, que analisou o inquérito, foi acolhida pela Justiça da Comarca, tornando Jeferson réu no processo em que ele deverá ir a Júri Popular pela morte de Cristiane.

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