Polícia investiga golpe do idoso morto
16/10/2020 - CIDADES -Mulher que teria levado o marido morto para prova de vida no Banco do Brasil depõe hoje à polícia. Foto: Wagner Souza/AAN
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A dona de casa Josefa de Souza Mathias, de 58 anos, que levou o cadáver do companheiro no banco para fazer prova de vida foi indiciada pelos crimes de estelionato qualificado e vilipêndio a cadáver, segundo o Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter 2). Josefa prestou depoimento ontem no 1º Distrito Policial (DP) e foi acompanhada da advogada Andreza Carolina Dias Amador.

Ela não quis comentar o caso. Em nota, o delegado do 1º DP informou apenas que Josefa negou a autoria e que as diligências seguem na próxima semana, além do aguardo das imagens do banco.

Além de Josefa, também foram ouvidas a vizinha e a porteira do prédio onde morava o aposentado Laércio Della Colleta, e também um segurança e o chefe de segurança da agência bancária. O conteúdo do depoimento deles não foi divulgado. O caso aconteceu no dia 2 deste mês na agência do Banco do Brasil, localizada na Rua Costa Aguiar, ao lado da Catedral Metropolitana. Josefa foi ao local acompanhada de um casal de vizinhos no intuito de fazer uma nova senha para movimentar a conta do companheiro, um escrivão da polícia aposentado de 92 anos.

Na ocasião, ela alegou que vivia com o idoso havia 10 anos e que precisava movimentar a conta do companheiro, mas havia esquecido a senha. Ela deixou o homem em uma cadeira de rodas, no piso térreo do banco com um casal de vizinhos e subiu até o primeiro andar para falar no atendimento. Quando o funcionário do banco pediu para falar com o aposentado, a mulher tentou agilizar o atendimento e disse que ele passava mal.

Um funcionário foi até onde estava a vítima e desconfiou da aparência do corpo e chamou o bombeiro civil do local, que depois acionou o resgate do Samu e do Corpo de Bombeiros que confirmou a morte e levantou a suspeita de que a morte tinha acontecido há mais tempo.

“Estamos apurando se ela realmente era companheira dele ou mera funcionária que o auxiliava na administração das contas dele”, comentou o diretor de Deinter 2, José Henrique Ventura.

A reportagem apurou que ao contrário do que Josefa disse em depoimento, na declaração de enterro do corpo do idoso ela informou que vivia em união estável com ele havia pouco mais de um ano. A reportagem também apurou que Laércio se casou em cartório com a primeira esposa, que já é falecida, em 1984, e não havia registro no mesmo cartório do casamento, de nascimento de filhos.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) que confirmou que Laércio estava morto havia pelo menos 12 horas antes de ser levado a agência, foi entregue para a Polícia na quinta-feira. O caso era apurado como morte suspeita.

A SPPREV (Previdência do estado) informou que o benefício do caso citado foi suspenso e será extinto. O Banco do Brasil informou em nota que “atua para mitigar o risco de fraudes nos pagamentos de benefícios previdenciários com medidas de segurança.”

Fonte: Correio

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