“…garantir a neutralidade do poder público em assuntos de fé…”
Um antigo ditado ensina que política, religião e futebol não se discutem, conferindo aos três temas que despertam fé e paixão uma condição única de silêncio absoluto sobre as naturais divergências causadas pela preferência individual que, antes de mais nada, deve ser respeitada como direito sagrado.
Entretanto, como se trata de assuntos de interesse das chamadas massas, ou de domínio público, a possibilidade de se discuti-los de forma equilibrada e respeitosa é, certamente, o caminho mais curto e correto para que haja compreensão e aceitação pelas escolhas alheias.
Uma das formas criada pelas democracias representativas e republicanas para proteção à liberdade religiosa é justamente a concepção do Estado Laico, ou seja, o Estado sem religião, para que não haja qualquer interferência de posições e dogmas nas decisões de cunho político.
Os países que adotaram o laicismo como doutrina em defesa da separação completa entre o Estado e Religião, para garantir a neutralidade do poder público em assuntos de fé, foram os que mais conquistaram a paz em meio à diversidade da crença religiosa praticada com absoluta liberdade e espontaneidade.
Ao estabelecer que as instituições políticas, jurídicas e educacionais não devam ser influenciadas pelos dogmas religiosos, fica assegurado o respeito e a liberdade de crença e culto às pessoas das mais diversas origens e formações e que compõem as sociedades livres.
Muito ao contrário dos Estados Laicos, os Estados Religiosos, ou Confessionais, são os que se transformam em agentes do preconceito e da perseguição aos que professam religiões diferentes da adotada pelo Estado e os que usam da imposição de seus valores e dogmas para combater aqueles que são considerados como perversos, pecadores ou inimigos.
Passados quase três séculos do início da chamada Modernidade, criada pela consolidação da liberdade individual na Revolução Francesa (1789) e na Constituição dos Estados Unidos (1787), a religião como dogma de imposição mostra força e resiliência e volta a se apresentar de maneira perigosa.
Manifestações de preconceito religioso, de intolerância e até mesmo de violência, que podem levar às mesmas guerras do passado, já estão presentes até em estatutos político-partidários e usadas como meio de identificação de uma posição de fé em determinada doutrina que tende a rejeitar, de forma perigosa, as crenças diferentes.
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