Presente sem futuro
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A permanente guerra política e de interesses travada nos bastidores dos poderes constituídos, aqueles que se arvoram como guardiões da Constituição Federal e do já desgastado e incompreensível chavão Estado Democrático de Direito, revela-se apenas como a continuidade da forma torpe de governar um dos maiores e mais ricos países do mundo.

A eternização da busca pelo poder calcado em enriquecimento e privilégios, os jogos de cena combinados nas coxias do palco principal e a guerra insana que seduz eleitores fanáticos e engana eleitores inocentes faz parte do grande teatro brasileiro de comédia sem graça.

Com quase a metade do período republicano em regime ditatorial pela força, com Getúlio Vargas de 1930 a 1945, e os generais de 1964 a 1985, e a outra parte com presidentes fracos, sem apoio, a maioria defenestrados antes de concluir seus mandatos, o país segue capengando graças unicamente aos recursos naturais que possui.

Sem investimento em educação de qualidade, sem oferecer infraestrutura, moradia digna e sequer saneamento básico, sem segurança ao cidadão e saúde para todos, vivemos a sociedade da desigualdade e do desrespeito para com os pagadores de impostos que mantêm o circo de horrores.

A divisão da sociedade entre a ultrapassada e carcomida teoria da esquerda e da direita, as paixões personalistas por lideranças de baixa expressão, de muitas máculas e vícios e poucas virtudes pessoais, intelectuais e éticas, transformam mais da metade dos brasileiros em idólatras de políticos incapacitados e de estatura moral mínima.

Por outro lado, a mesma sociedade que cultua os arremedos de líderes se perde em comportamentos reprováveis, inadequados e vergonhosos.

Uma frase das redes sociais ilustra nosso momento e nossa história: O que esperar de um país onde é preciso filmar a vacinação?

A situação de descalabro econômico e moral continuada confirma a antiga e sábia teoria de que cada povo possui o governo que merece, pois os políticos não são fabricados, são frutos do meio social que estamos criando e aperfeiçoando da pior forma.

E, junto com a ruína de valores e princípios nobres cultivados pelos eleitores e levados pelos governantes eleitos ao poder, constata-se as demais instituições contaminadas pelo vírus da antiética, pela lei da vantagem e defesa do interesse pessoal ou corporativo.

Com passado vergonhoso e presente macabro, pode não haver futuro.

“…guerra insana que seduz eleitores fanáticos e engana eleitores inocentes…”

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