Previsão sem adivinhação

“…as previsões meteorológicas catastróficas da semana passada foram confirmadas…”

A expectativa criada na grande maioria das cidades do Centro Oeste Paulista no último final de semana, devido às previsões meteorológicas de vendavais e chuvas intensas, foi motivo das medidas preventivas adotadas pelos órgãos públicos responsáveis pela segurança da população.

Não obstante à dádiva de não se registrar grandes infortúnios em nossa região, surgiram muitas críticas ao fechamento de escolas na sexta-feira e de algumas empresas que se preocuparam com a segurança dos funcionários, provando que tanto a prevenção como a falta dela são motivos para censuras e condenação.

Há muito já se sabe que é impossível agradar a todos, algo que até mesmo Jesus Cristo não conseguiu e acabou crucificado e morto, acusado por seus críticos de praticar a blasfêmia de se declarar Filho de Deus.

Entretanto, depois de mais 2 mil anos da injustiça feita com o Messias, muitos de seus seguidores agem como Caifás ao julgar, criticar e condenar medidas preventivas adotadas a partir das previsões dos principais institutos de meteorologia do Brasil, que trabalham com elevado índice de acerto e prestam relevantes serviços à sociedade e aos negócios.

Sem entendimento da função da meteorologia e sem qualquer critério de julgamento, muitos não sabem que a previsão é a antecipação ou suposição do que pode acontecer, como forma de se adotar cautela ou prudência diante de uma possível, ou provável, situação, mas que não se trata do exercício da adivinhação.

Mesmo assim, é preciso admitir que as previsões meteorológicas catastróficas da semana passada foram confirmadas pelos fatos, com dezenas de cidades paranaenses e paulistas em estado de calamidade, milhares de imóveis destruídos, muitos desabrigados e alguns mortos e desaparecidos pelos deslizamentos, soterramentos e enxurradas.

Considerando que, lamentavelmente, houve acerto nas previsões, também é preciso aceitar que as medidas adotadas por muitas prefeituras, por recomendação da Defesa Civil, foram acertadas, uma vez que houve cuidado em prevenir possíveis infortúnios causados por chuvas e ventos que de fato aconteceram.

Aqueles que reclamaram do fechamento de escolas e órgãos públicos não perceberam que a medida foi preventiva e, que, caso não fossem adotadas e houvesse alguma catástrofe nas cidades da região, certamente as críticas seriam muito mais agudas e poderia haver até mesmo responsabilização das autoridades.

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Cláudio Pissolito

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