Produtores rurais do Oeste Paulista usam as redes sociais para divulgar dia a dia no campo
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Fotos e vídeos mostram a rotina na roça, curiosidades e as dificuldades para a produção de alimentos.

Do campo até a mesa, os alimentos percorrem um caminho muitas vezes desconhecidos aos consumidores. Na região de Presidente Prudente (SP), alguns produtores rurais encontraram uma forma de diminuir esse trajeto e de preencher esse espaço com informações. É por meio das redes sociais que eles mostram o dia a dia na roça e os cuidados na produção de frutas, verduras e legumes.

Dia a dia e curiosidades

Nos sítios São Francisco e Tropical, em Álvares Machado (SP), a rotina passou a ser mostrada nas redes sociais este ano. A ideia já era antiga, mas só tomou forma recentemente. Uma das figuras mais presentes nos vídeos é o engenheiro agrônomo Adriano Takashi Moriya, que faz parte da quarta geração da família a administrar as produções. Quem ajuda na geração de conteúdo é o gerente geral Gabriel Zin Vascon. As principais culturas são a banana, uva e macadâmia, mas há espaço também para as frutas exóticas como rambotã, mamei, canistel, guajilote e bacuri, entre outras.

“A ideia é divulgar o nosso trabalho, as curiosidades. Como somos feirantes, os clientes perguntam como são os pés das frutas, como cuidamos. Por isso, tivemos a ideia de mostrar a arquitetura da planta, o cultivo. Também foi uma necessidade porque as pessoas também pediam para visitar, mas não tem como a gente fazer esse atendimento”, afirmou.

Adriano Takashi Moriya e Gabriel Zin Vascon são os responsáveis pela produção de conteúdo dos sítios São Francisco e Tropical — Foto: Gabriel Zin Vascon/Cedida
Adriano Takashi Moriya e Gabriel Zin Vascon são os responsáveis pela produção de conteúdo dos sítios São Francisco e Tropical

Apesar de recente, o perfil traz vários vídeos explicativos. Sobre o cultivo da banana, por exemplo, Moriya mostra como faz a adubação, a limpeza da área e das bananeiras, a colheita, até como é feito o despencamento da banana com uma faca especial.

“O que para gente é rotina, para os clientes acaba sendo uma novidade. Além disso, mostramos também a dificuldade na lida no campo. Agora, por exemplo, estamos com falta de banana, isso por conta da falta de chuva em março”, enfatizou.

O perfil tem acesso dos clientes e também de pessoas de fora da região. “O pessoal tem acessado. Tem gente que acha interessante. Teve um comentário de uma pessoa nos Estados Unidos, que disse que não imaginava que dava tanto trabalho. O bom que isso também valoriza o nosso trabalho. As pessoas passam a entender que não é tão fácil. Quem vê uma banana bonita na banca da feira não imagina as dificuldades da produção”, destacou.

Dia a dia dos sítios São Francisco e Tropical é mostrado nas redes sociais — Foto: Gabriel Zin Vascon/Cedida
Dia a dia dos sítios São Francisco e Tropical é mostrado nas redes sociais

Moriya assumiu a administração do sítio em 2008 e conta que não tem como manter apenas a agricultura tradicional. “Tem que ser profissional. A gente deixou de ser agricultor tradicional para ser profissional e tocar a lavoura como uma empresa”, falou.

O agrônomo pontuou que mesmo que o objetivo seja apenas a divulgação, a entrada nas redes sociais já gerou um outro “fruto” e eles pretendem continuar mostrando o trabalho diário. “Tivemos um contato de São Paulo para a comercialização da macadâmia. Foi através da rede social. Deu esse ‘fruto’ inesperado”, finalizou.

Rotina na produção da banana é divulgada nas redes sociais — Foto: Bill Paschoalotto/TV Fronteira
Rotina na produção da banana é divulgada nas redes sociais

Porteira fechada e perfil aberto

Roque Antônio dos Santos mostra o que é produzido em seu sítio, em Presidente Prudente — Foto: Arquivo pessoal
Roque Antônio dos Santos mostra o que é produzido em seu sítio, em Presidente Prudente

O produtor rural Roque Antônio dos Santos tem um sítio em Presidente Prudente e há cinco anos tem uma roça com verduras e legumes no sistema orgânico. Também faz pouco tempo que ele começou a usar as redes sociais na divulgação do seu trabalho.

“Uma cliente pediu para fazer o perfil e eu comecei a mostrar a produção. E foi bom porque as pessoas sempre perguntavam como é o meu trabalho já que a produção é orgânica. O pessoal passou a acompanhar o trabalho e passa mais segurança para os clientes também”, explicou.

Por ter uma produção em menor escala, ele trabalha mais na entrega direta ao consumidor final e na feira. Além dos clientes, o perfil tem agregado pessoas de fora. “O interessante é que tem muita gente que nem é meu cliente. As pessoas curtem as publicações. Isso abre mais o campo de venda”, frisou.

Outro motivo de ter iniciado página foi a pandemia da Covid-19. Antes, ele abriu a propriedade para visitação, mas precisou suspender a atividade em março. “Muitos também não podiam vir conhecer ou não conseguiam achar o sítio. Agora, ficou muito mais fácil”, disse.

Para ele, tem sido uma agradável surpresa os resultados dessa nova divulgação. “Eu sou uma pessoa humilde, do sítio. Nunca fiz um perfil para mim. Tem sido uma surpresa. Não achei que daria retorno. Mas, comecei a conhecer pessoas novas. Tem gente não compra, mas curte o que eu publico, comenta que está legal. Receber um elogio é muito bom. Pretendo continuar postando toda semana. Vou investir cada vez mais”, afirmou.

Roque Antônio dos Santos começou a divulgar a sua produção nas redes sociais este ano — Foto: Arquivo pessoal
Roque Antônio dos Santos começou a divulgar a sua produção nas redes sociais este ano

FONTE: G1

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