REVIRAVOLTA – Após reaparecer em Ibirarema, agricultor tem prisão preventiva decretada pelo sequestro da esposa idosa

João Dico passou de vítima a acusado de sequestro

O caso do desaparecimento de um casal de idosos em Ibirarema, que mobilizou redes sociais, polícia e voluntários em duas ocasiões, teve uma reviravolta. O agricultor João Manoel Borges, conhecido como João Dico, de 60 anos, e sua esposa Alzira Miranda Rosa Borges, de 78, reapareceram na tarde de sexta-feira (23/01) em uma propriedade rural da família e, após serem resgatados por equipes que atuavam nas buscas, foram atendidos no pronto-socorro de Ibirarema.

Depois do retorno, João foi preso pela delegada Raquel Santos de Oliveira, responsável pela Delegacia da Polícia Civil de Ibirarema. De acordo com registros policiais, o agricultor inicialmente se recusou a dar esclarecimentos aos familiares ao ser visto em um mandiocal de um sítio da família. Posteriormente, constatou-se que Alzira estava dentro de um carro, nas proximidades de um pomar, com sinais de falta de higiene, vestes impregnadas de urina e fezes e em estado de debilidade.

Em depoimento oficial, João confessou que retirou a esposa do convívio familiar e a manteve em estradas rurais e áreas de mata, permanecendo a maior parte do tempo dentro do automóvel. Ele relatou que ambos ficaram dias sem banho, alimentando-se apenas de bolachas e água, e que chegou a ministrar “remédios para dormir” para si e para a vítima. O agricultor também admitiu que, mesmo diante dos pedidos da esposa para retornar, se recusava, alegando medo de ser preso e de se separar dela.

A investigação da Polícia Civil apontou ainda que o acusado tentou despistar familiares, enviando mensagens falsas sobre uma viagem ao Paraná e descartando o celular para evitar ser localizado. O aparelho foi apreendido para perícia. Diante das evidências, a delegada decretou a prisão em flagrante do agricultor, considerando crimes previstos no Estatuto do Idoso, por expor a vítima a risco concreto de saúde física e psicológica, e no Código Penal, por privação de liberdade.

Na manhã de sábado (24/01), João Dico participou de audiência de custódia virtual conduzida pelo plantão do Judiciário de Assis. Ele foi representado pelo advogado Rafael Augusto da Costa, de Palmital, que argumentou que o enquadramento penal “não se amolda à realidade”, pois o crime de sequestro depende fundamentalmente de a ação ocorrer contra a vontade da vítima. “E, tanto na primeira quanto na segunda vez, ela foi de livre vontade e, por isso, não se preenche o crime de sequestro”, afirmou.

Ao final da audiência, o juiz responsável pelo caso decretou a prisão preventiva do agricultor, que deverá ser levado a uma unidade de detenção provisória por tempo indeterminado. A medida atendeu à representação feita pela delegada, que ressaltou a necessidade da custódia para garantir a segurança da idosa, evitar reincidência e assegurar a instrução processual e a aplicação da penalidade.

O advogado disse que outras medidas policiais e judiciais poderiam ser mais eficazes para tratar do caso e garantir a proteção não apenas de Alzira, mas também de João, visto que ambos são idosos. Ele informou que, enquanto estuda medidas para o relaxamento da prisão, também solicitou a realização de perícias para verificar a capacidade mental do agricultor e da esposa.

Desaparecimentos – O casal havia desaparecido pela primeira vez em 23 de dezembro do ano passado e, após passar o Natal incomunicável, retornou para casa no dia 28 de dezembro. Na ocasião, estavam com um Crossfox prata, debilitados e apresentando confusão mental, alegando que haviam sido sequestrados e mantidos reféns na zona rural de Platina.

O segundo desaparecimento ocorreu no sábado (17/01), quando, depois de sair com o mesmo Crossfox prata, João e Alzira novamente deixaram de se comunicar com familiares. O caso foi comunicado à Polícia Civil na segunda-feira (19/01), quando foi informado que o casal teria dito que viajaria ao Paraná para visitar parentes da idosa.

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Cláudio Pissolito

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