Agredido com um soco no olho, na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Azaléia, região noroeste da Campo Grande, na quinta-feira (04/02), o radialista Oswaldo Ferreira Benites, de 39 anos, afirmou ter sinusite crônica, o que o impediria de usar máscara.
“Eu tenho esse problema respiratório, não é grave, mas tenho falta de ar constante e acordo várias vezes durante a madrugada com o nariz trancado. Quando acordo, tenho que ficar acordado pingando soro, tenho que tomar anti-inflamatório, antialérgico, então, é um direito meu como cidadão não usar”, afirmou ao G1 o radialista.
No mesmo local, em junho de 2020, ele conta que o médico plantonista deu a ele um atestado no qual explica que os sintomas se agravam com o uso da máscara. “Eu não estou descumprindo o decreto da prefeitura. Tem um parágrafo da Sesau [Secretaria Municipal de Saúde], de 18 de junho de 2020, que fala sobre a obrigatoriedade do uso, ressaltando casos como o meu, então, estou amparado pela lei e também ando com o atestado em mãos”, disse.
Para reforçar que não seria obrigado a usar máscara, Benites cita o artigo 2 do decreto 14.354, de 18 de junho de 2020, da prefeitura de Campo Grande, que diz: “A obrigatoriedade da utilização de máscaras nos locais determinados no artigo anterior não se aplica para: III – demais pessoas cuja necessidade seja reconhecida, devendo ser atestada a impossibilidade do uso da máscara pelo serviço de saúde(atestado médico)”.
Na sexta-feira (05/02) ele disse que foi ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) para fazer o exame de corpo de delito. “Quando a gerente do local veio falar comigo, fui argumentar sobre a minha desobrigação e ela, que deveria saber da lei no caso de quem possui problemas respiratórios, gritou comigo o tempo todo, mesmo eu tendo um atestado médico do posto de saúde dela”, comentou.
Assim que chegou no local, Osvaldo falou que não havia aglomeração e que apenas uma pessoa estava aguardando atendimento. A intenção dele era pedir ao médico para renovar o atestado e a esposa dele também estaria com ele, para conseguir uma consulta.
“Eu estava mantendo distanciamento, tomando os devidos cuidados. A gerente disse que ia chamar a Guarda Municipal e eu falei que poderia chamar sem problemas. Após 10 ou 15 minutos, chegou um homem em um carro preto, que não é do local. Eu estava de costas, próximo ao balcão, quando ele veio, me deu um empurrão no peito e um soco no olho”, afirmou.
Logo em seguida, ele foi para a delegacia. “Soube de vários casos envolvendo esta gerente, de grosserias feitas por ela. Eu fui vítima de uma agressão porque as pessoas não querem respeitar. Isto está na lei e agora eu também vou na ouvidoria da Sesau”, finalizou.
A reportagem tentou contato com o médico, porém, não conseguiu até a publicação da reportagem e, por isso, borrou o nome dele no documento.
ATESTADO NÃO O AUTORIZA A NÃO USAR MÁSCARA, DIZ SESAU
Conforme a Sesau, o atestado médico não diz que ele está autorizado a não usar máscara, já que o médico “só fez uma observação que a condição dele, possivelmente, pode ser afetada temporariamente durante o uso da máscara.
Ainda conforme a Sesau, o que vale é o decreto. Na ocasião, a assessoria aponta que a agressão ocorreu por conta do “tratamento dele” com os servidores da unidade, o que incomodou uma pessoa que estava lá.
Fonte: G1













