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“Até hoje me pergunto de onde eu tirei coragem para abordar uma desconhecida pelo Instagram e perguntar se ela toparia dar em cima do meu namorado: provavelmente por estar com a cabeça confusa devido a traições antigas e sentir que precisava sair daquela relação, mas ainda não ter força suficiente de tomar essa decisão.

Tive medo de como ela reagiria e o que poderia pensar de mim. Me surpreendi ao ver que era uma menina simpática, que entendeu a minha aflição e topou a ideia. Minha relação terminou, mas ganhei uma nova amiga.

‘Era um namoro tranquilo e sem brigas’

Eu e meu ex-namorado estávamos juntos havia dois anos e meio. Nossa relação era muito tranquila: nunca brigávamos e éramos um casal querido pelas pessoas próximas e pelas nossas famílias.

Não sou uma pessoa ciumenta e, até aquele momento, não tinha motivos para desconfianças. As coisas mudaram em um domingo, quando fomos à academia juntos. Eu precisei fazer um pagamento, mas tinha esquecido o cartão do banco em casa. Ele pediu para que eu segurasse suas coisas —carteira e celular— e se ofereceu para voltar e pegar.

Sozinha com os objetos dele, tive uma intuição de olhar seu celular. Eu tinha a senha, mas nunca tinha mexido no aparelho escondido. Daquela vez, no entanto, abri o Instagram e me deparei com três conversas dele com outras mulheres, todas de teor sexual bastante explícito.

Assim que ele voltou, eu já estava em choque e muito emotiva. Pedi que conversássemos em casa, mas antes mesmo de chegarmos, ele começou a chorar e a me pedir desculpas. Disse que sabia que estava errado, mas que tinha um problema e estava disposto a mudar. Jurou que as conversas eram apenas virtuais, que jamais tinha me traído.

Eu mantive a calma, não gritei, nem fiz escândalo, mas sugeri que terminássemos. Ele chorou novamente e, pressionada, pedi que déssemos pelo menos um tempo, para que eu conseguisse colocar as ideias no lugar.

‘Pela insistência, decidi dar mais uma chance’

O combinado era que não nos falássemos por algumas semanas, mas ele não respeitou meu pedido. Sabendo dos meus horários de estágio e faculdade, me mandava mensagens pedindo para que nos encontrássemos. Ia à igreja, começou a fazer terapia e me contava tudo, a fim de me comover. Eu, que moro sozinha na capital para estudar, vivi momentos de muita fragilidade.

Antes, costumava passar os finais de semana com os pais dele, mas agora não tinha ânimo nem de sair com amigas. Por causa disso, acabei cedendo e nos encontramos para jantar.

Ouvi juramentos de que tudo seria diferente, de que ele mudaria para ser a pessoa com quem eu merecia estar. Decidi dar mais uma chance. A reconciliação foi um momento de felicidade, inclusive para os nossos pais, que torciam pela relação. Mas, no fundo, ainda existia uma dúvida enorme dentro de mim.

‘Pedi para uma desconhecida dar em cima dele’

Quando estávamos juntos, se chegava uma notificação no celular dele, já me sentia estranha. Separados, era ainda pior. Minha saúde mental não estava em ordem e me pegava pensando, até durante as aulas da faculdade, com quem ele estaria falando e o que estaria fazendo. Sabia que não poderia continuar assim.

Então bolei um plano: pedir para que alguma mulher, de preferência que fizesse seu estilo, começasse a paquerá-lo, para saber como seria a reação. Comentei com a minha mãe e ela me disse que aquilo era uma bobagem: ele estava determinado a ser fiel, não mentiria e nem me enganaria mais. Ainda assim, algo me dizia para continuar.

Vi o vídeo de uma menina de Salvador muito bonita no TikTok e procurei seu perfil no Instagram, mas logo vi que ela tinha muitos seguidores e achei que isso dificultaria o processo.

Então, a própria rede me sugeriu para seguir uma outra menina, também muito bonita, e decidi pedir a ajuda dela via mensagem privada. Claro que tive medo do que ela iria pensar. E se eles fossem amigos e ela contasse tudo? Mas, assim que puxei assunto e expliquei minha situação, a menina aceitou me ajudar.

Pedi que ela passasse a segui-lo nas redes sociais e reagisse às postagens dele. Combinávamos cada mensagem trocada.

Fazia menos de um mês que havíamos reatado: ainda assim, ele correspondeu às investidas a tal ponto de marcar um encontro presencial com ela, após quatro dias de conversa. ‘Ele pensou que veria a amante, mas quando abriu a porta, deu de cara comigo’ Muita gente se pergunta por que eu levei a história adiante até um encontro presencial, por que não terminei assim que a troca de mensagens começou.

A verdade é que uma parte de mim queria acreditar que ele não teria coragem de ir até a casa de outra mulher. Até o último minuto, eu pensava que ele cancelaria a qualquer momento.

Para não expor a menina que estava me ajudando, pedi que ela passasse o endereço de uma amiga e fui para lá. No caminho, ele enviou uma mensagem dizendo que havia parado para comprar camisinhas, o que não deixa dúvida das suas intenções. Depois, tocou a campainha. Quando abriu, deu de cara comigo. Foi mais uma rodada de lamentações, mas, desta vez, sabendo que não teria volta.

Eu esperava o melhor, mas estava pronta caso o pior acontecesse. Fiz questão de ir até as últimas consequências porque, se em algum momento pensasse em voltar, me lembraria do que passei e saberia que o certo para mim era buscar ser uma mulher independente, que iria encontrar um companheiro melhor.

Hoje, não estamos mais juntos, mas ganhei uma amiga: continuo conversando com a garota que me ajudou, descobrimos gostos e amigos em comum e nos falamos sempre.”

Lara Costa Santos, 22 anos, estudante, de Salvador (BA)

FONTE: UNIVERSAUOL

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