Veja 6 mudanças que o corpo humano sofreu ao longo dos últimos 150 anos
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O Planeta Terra e seus moradores passaram por muitas revoluções do início do século 20 até os dias atuais. Foram transformações na medicina, nos meios de locomoção, na forma como nos relacionamos… E algumas mudanças também foram sentidas no corpo humano. Confira 6 dessas alterações.

Estatura

Um estudo publicado na revista científica ELife apontou que o ser humano teve a estatura aumentada nos últimos 200 anos, principalmente a população de países desenvolvidos no comparativo com os subdesenvolvidos. Um exemplo são as mulheres sul-coreanas, que ficaram em torno de 20,2 centímetros mais altas.

Uma das possíveis explicações está na melhor qualidade de vida de locais como a Coreia do Sul. “Isso porque os cidadãos possuem maior disponibilidade de dietas nutritivas, ricas em cálcio e substratos energéticos que aumentam a proliferação de células, aumentando a massa óssea, que é responsável pelo crescimento linear, ou seja, a estatura. Além da inclusão de práticas de exercício físico influenciarem positivamente nesse processo”, aponta Fabricia Fonseca, doutora em fisiologia e professora de anatomia, fisiologia e bioquímica no curso de ciências biológicas do IFRJ (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro).

Temperatura corporal

Diferentemente do Planeta Terra, que está ficando mais quente, o nosso organismo parece estar esfriando em comparação com a temperatura do corpo dos cidadãos que viveram no século 19, foi o que apontou uma pesquisa da Universidade de Stanford, nos EUA.

O estudo, realizado somente com norte-americanos, demonstrou que de 1860 até 2017 houve uma diminuição de aproximadamente 0,5ºC da temperatura corporal tanto em homens quanto em mulheres.

“Não podemos assumir diretamente que isso seria verdade para o resto do mundo sem conduzir um estudo que avalie a temperatura corporal histórica e recente de diferentes partes do mundo, mas o que é interessante nessa pesquisa é que ela amplia a análise de dados históricos e nos dá um pouco mais de certeza de que a temperatura corporal está diminuindo”, esclarece Roberta Loh, doutora em ecologia e professora de genética, evolução, ecologia aplicada e bioinformática no curso de ciências biológicas do IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro).

E entre as hipóteses que explicam essa possível redução na temperatura do corpo, a que pode estar mais relacionada à população mundial é a que aponta a diminuição do nível de inflamação crônica no organismo como o principal causador. Isso porque no século 19, doenças como sífilis e tuberculose, por exemplo, não tinham cura e nem tratamento eficaz. E a resposta do corpo a essas doenças é a inflamação, que leva a um aumento de temperatura do corpo.

Atualmente, essas doenças estão controladas na maior parte do mundo, por isso a redução no termômetro corporal. Sem esquecer que o uso de anti-inflamatórios se tornou bastante frequente, o que diminui o nível de inflamação e contribui para a manutenção de uma temperatura mais baixa do organismo.

Puberdade precoce

A transição da infância para a adolescência tem chegado alguns anos mais cedo em meninos e meninas de hoje em dia quando comparados com os jovens do final do século 19 e início do século 20, é o que apontam várias pesquisas.

Porém, esses estudos ainda precisam de maiores avanços para identificar a real causa dessa puberdade precoce. Até o momento, o que se sabe é que as crianças do século 21 estão sujeitas a uma série de intervenções alimentares e ambientais que podem influenciar essa antecipação.

No primeiro caso, com o fácil acesso e o aumento no consumo de alimentos industrializados, houve um crescimento na massa corpórea dos pequenos. “E vários estudos mostram que o aumento do tecido gorduroso nas crianças está relacionado ao início da puberdade mais precocemente. Isso porque a gordura corporal contribui na produção de hormônios sexuais, como o estrogênio. Portanto, quanto mais dessa substância no organismo, maiores as chances da puberdade prematura”, explica Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein, ambos em São Paulo.

E não são só os hormônios sexuais que são disparados mais precocemente com o aumento da gordura corporal. Isso porque indivíduos obesos possuem grandes quantidades de uma outra substância chamado leptina, que promove a liberação do peptídeo Kiss, molécula responsável por dar início ao processo de puberdade. Portanto, com o aumento dos casos de crianças obesas, consequentemente cresce também o número de jovens que entra na adolescência mais cedo.

Já no quesito ambiental, a presença de diversos compostos químicos e tóxicos no ar e em alguns produtos, como cosméticos, por exemplo, também podem influenciar a função hormonal das crianças. “Chamados de fenóis, ftalatos e fitoestrógenos, essas substâncias desregulam processos endócrinos no organismo, o que leva a maior chance de puberdade precoce”, alerta Bárbara Murayama, ginecologista e diretora da clínica Gergin Ginecologia, em São Paulo.

Expectativa de vida

Com as melhorias no saneamento básico, medicina, higiene pessoal e nutrição, a estimativa de sobrevivência da população aumentou bastante. A média mundial subiu dos 30 anos, no início do século passado, para cerca de 72 anos nos dias atuais, de acordo com a Estatística de Saúde Anual da OMS (Organização Mundial da Saúde).

E o futuro reserva muito mais. Segundo um relatório publicado pelo Instituto Santalucia, na Espanha, a expectativa de vida continuará a aumentar até atingir os 120 anos no final do século 21.

“De fato, com os avanços em medicamentos, no estudo da genética, do controle das doenças, temos uma maior probabilidade de aumentar a sobrevida da população. Por outro lado, o corpo humano foi feito para envelhecer até um determinado ano, e cada indivíduo tem o seu tempo. Em algum momento, mesmo com toda a tecnologia, o envelhecimento vai ser a causa da mortalidade, por conta da falência de órgãos. Existe um limite. Não é todo mundo que vai atingir 120 anos”, pondera Natan Chehter, geriatra pela SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Novas partes do corpo

Alguns estudos têm descoberto camadas no organismo que antes não haviam sido relatadas, como é o caso da pesquisa publicada na revista científica Eye, do Royal College of Ophthalmologists, no Reino Unido, que aponta uma sexta camada da córnea, chamada de pré-Descemet, ou camada de Dua.

“De acordo com a pesquisa, essa camada teria uma estrutura diferente (seria um pouco mais grossa), e se separa facilmente das outras membranas durante os procedimentos de transplante”, explica Lísia Aoki, oftalmologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Essa característica parece oferecer cirurgias mais seguras e simples aos pacientes. Porém, esse tema ainda gera muitas controvérsias, pois alguns especialistas não observaram nenhuma função específica e importante para essa nova camada.

Já outras, desaparecendo…

O dente do siso é o caso mais clássico. Muitos adolescentes têm sido diagnosticados sem esses quatro elementos. “Muito se fala sobre a verdadeira causa: a alteração do hábito alimentar, diferenças na intensidade da mastigação, devido ao tipo de alimento, a mistura de raças interferindo nas características naturais, as alterações na formação óssea e formato das arcadas, entre outros fatores. Entretanto, nenhuma evidência científica comprova definitivamente a real causa deste fato. O que se verifica, na prática, é a tendência de que ‘desapareçam’ com o passar dos anos”, afirma Claudio Miyake, cirurgião dentista, especialista em ortodontia e secretário geral do CFO (Conselho Federal de Odontologia).

Outra parte do corpo não tão conhecida que parece estar desaparecendo é o músculo palmar longo. Com localização que vai do cotovelo ao punho, a sua ausência não influencia na flexão das mãos. “Ao pesquisarem outros primatas e a presença desse músculo, os estudiosos propõem que o palmar longo tenha sido importante quando nossos antepassados ainda tinham algum tipo de locomoção nas árvores. Com a falta de necessidade em realizar escaladas, esse músculo teria perdido sua importância”, afirma Mercedes Okumura, coordenadora do LEEH (Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos) do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo).

A porcentagem de pessoas que não possuem o músculo palmar varia dependendo da raça, do lado (esquerdo ou direito) e do gênero. “Recentemente, ortopedistas do grupo de cirurgia da mão do departamento de ortopedia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) realizaram um estudo e mostraram que a taxa de ausência do palmar longo foi de 26,2% na população brasileira, ou seja, a cada 4 brasileiros, um não tem o músculo. Além disso, não há diferenças entre homens e mulheres. E, quanto ao lado, a ausência na parte esquerda é mais frequente do que na direita”, aponta Carlos Henrique Fernandes, professor afiliado da EPM (Escola Paulista de Medicina) e diretor da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia).

A relação disso ainda precisa de novas pesquisas, mas acende o alerta para a reflexão: o que mais de mudanças o corpo humano pode nos reservar?

Fonte: Uol

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