Vereadora que ligou para tenente ao ter carro guinchado diz que pensou na filha: ‘Liguei como mãe’
Vereadora que teve carro guinchado por PM diz que ligou para tenente-coronel para pedir informação em Marília
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Professora Daniela (PL) falou aos vereadores de Marília (SP) nesta segunda-feira. Após o telefonema, tenente-coronel ligou para o policial que fez a apreensão e ameaçou tirá-lo da função. Conversa foi gravada e viralizou na internet.

A vereadora Daniela D’Ávila Alves, conhecida como Professora Daniela (PL), prestou esclarecimentos na Câmara Municipal nesta segunda-feira (31) sobre a polêmica envolvendo um policial militar e a tenente-coronel Marcia Crystal, em Marília (SP).

Os vereadores votam nesta segunda-feira (31) um pedido de abertura de Comissão Processante (CP) contra a parlamentar, que ligou para a oficial da PM no dia em que teve o carro guinchado por um policial de trânsito por estar com o licenciamento vencido e pneus gastos.

Depois da ligação da vereadora, a tenente-coronel entrou em contato com o PM que fez a apreensão e ameaçou trocá-lo de função caso não tivesse “bom senso” nas abordagens. Em seguida o policial foi transferido.

A gravação da conversa viralizou e, em meio à polêmica, a tenente-coronel Márcia Crystal, comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar de Marília, anunciou um pedido de licença de 15 dias. Na sexta-feira (28), ex-PMs fizeram um protesto em solidariedade ao sargento que apreendeu o carro.

Em entrevista à TV TEM, a vereadora disse que fez a ligação para a tenente-coronel apenas para pedir uma informação sobre a possibilidade de não ter o carro apreendido.

“Eu liguei para obter uma informação, porque nós tínhamos o conhecimento de que existe uma possibilidade dentro da lei que não apreendesse o veiculo, e sim o documento. Eu não pedi fora da lei, existe uma normativa interna da Polícia Militar a respeito disso”, disse a vereadora.

De acordo com a parlamentar, ela tinha o contato da tenente-coronel porque mandou uma mensagem de boas-vindas para a oficial quando ela assumiu o cargo em Marília.

Ela também disse que não sabia que os pneus do carro estavam gastos e reforçou que fez a ligação para a oficial pois estava preocupada com a filha, que dirigia o veículo no momento da abordagem.

“Eu liguei como mãe. Quem não faria uma pergunta dessas como mãe? Minha filha ligou para o meu esposo dizendo que o policial ia reter o carro, aí eu liguei nesse caminho, como mãe. [A tenente coronel] era a primeira pessoa que eu tinha o contato, porque nós não sabíamos quem estava lá”, continua a parlamentar.

Professora Daniela (PL) prestou esclarecimentos na Câmara Municipal de Marília — Foto: Claudio Farneres/TV TEM
Professora Daniela (PL) prestou esclarecimentos na Câmara Municipal de Marília

A Professora Daniela também comentou que se manteve em silêncio até esta segunda-feira (31) porque a situação parecia uma questão simples de ser resolvida. No entanto, decidiu se pronunciar quando a situação se tornou político-partidária, segundo ela.

A vereadora também disse que na quarta-feira (2) ela vai prestar esclarecimentos ao Comando da PM, que instaurou um inquérito policial militar para apurar os fatos.

“Um pedido de informação não desmerece qualquer coisa em relação ao policial. Afirmo aqui que ele estava cumprindo dentro da lei também e dentro de uma normativa. Quem vai responder essa questão é a comandante e o policial. É uma questão administrativa que eu não tenho interferência alguma”, completa.

Conversa viralizou

Toda a conversa teria ocorrido porque o policial guinchou o carro da vereadora que estava com licenciamento vencido em Marília — Foto: TV TEM/ Reprodução
Toda a conversa teria ocorrido porque o policial guinchou o carro da vereadora que estava com licenciamento vencido em Marília

Depois de conversar com a vereadora, a oficial da PM Márcia Crystal ligou para o policial de trânsito que apreendeu o carro da parlamentar. Na conversa, a tenente-coronel pede para que o PM não guinche o carro porque Daniela é vereadora e ameaça trocá-lo de função por não ter “bom senso”.

Na ligação a que a TV TEM teve acesso, o policial explica que constatou que o carro da vereadora não tinha licenciamento e estava com os pneus gastos, motivo pelo qual decidiu abordar a filha dela, que dirigia o veículo, na Rua Carlos Botelho.

O policial informou, no áudio, que deu a oportunidade para que ela fizesse o pagamento via aplicativo, mas a jovem e o pai, que chegou ao local mais tarde, teriam dito que não tinham condições.

Depois de ouvir a história, a tenente-coronel pede para que o policial não ficasse “tumultuando” e diz que ele deveria ter apenas feito a orientação, sem apreender o carro.

“Porque isso daí é falta de bom senso, tá? Ela é vereadora. É, é, a condição, você pode muito bem estar fazendo e orientando, tá? E aí segunda-feira, ela pegaria o documento e não precisa apreender o veículo”, diz a tenente-coronel no áudio.

Em seguida, a comandante ameaça trocar o policial de setor se ele continuar agindo de tal maneira, já que ele teria desobedecido uma ordem superior.

Na ligação, a tenente-coronel afirma que o policial pode ser transferido do setor  — Foto: TV TEM/Reprodução
Na ligação, a tenente-coronel afirma que o policial pode ser transferido do setor

“Se for desse jeito é o que eu to falando, você não vai estar mais segunda-feira no trânsito (…) porque essa aqui é uma ordem minha, você vai responder também”, continua a tenente coronel.

A conversa continua por mais alguns segundos e a tenente-coronel repete que o policial de trânsito deveria ter tido bom senso ao analisar a situação, já que a mulher é vereadora.

“Olha o que você tá causando, porque politicamente ela é vereadora. Não teve nem uma conversa, o que você está achando que você é?”, questiona no áudio.

Tenente-coronel Márcia Crystal, comandante da PM em Marília — Foto: Câmara de Marília/Divulgação
Tenente-coronel Márcia Crystal, comandante da PM em Marília

O Comando do Policiamento do Interior da região de Bauru (CPI-4), ao qual é subordinado o Batalhão de Marília, informou que o policial que efetuou a apreensão não foi afastado, mas estava matriculado em um curso em São Paulo, agendado para o dia 24 de agosto.

Por causa disso, segundo a PM, ele não vai exercer suas atividades em Marília até a conclusão do curso em 4 de setembro. Depois disso, deve retornar às suas funções habituais.

“Após tomar conhecimento da gravação, o comandante regional instaurou inquérito policial militar para esclarecer todos os fatos que envolveram a apreensão do veículo e as condutas da comandante e do policial militar”, completou a corporação

FONTE: G1

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