Vírus público e vírus privado
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A pandemia do Novo Coronavírus, que já alçou o Brasil ao segundo lugar no número de mortes, está revelando as enormes e permanentes diferenças sociais que dividem nosso povo em cidadãos de diversas categorias.

Os doentes das elites econômica, política e do judiciário são atendidos em hospitais de elevado padrão e, invariavelmente, saem curados, enquanto os de classe média arcam com seus planos de saúde ou com recursos próprios e os mais pobres esperam vagas em leitos de ambulatório e muitos morrem sem acesso a uma unidade de tratamento intensivo.

As prioridades dos governos também são reveladas, uma vez que a maioria das capitais possuem modernas arenas multiuso e hospitais sem infraestrutura mínima.

Exemplo emblemático é o hospital de campanha, do modelo provisório, adquirido sem licitação e montado ao lado do mais famoso templo do futebol, o estádio Mário Filho, o mundialmente conhecido Maracanã.

Em cidades menores, como Assis, o custo da estrutura provisória para atender em nível regional poderia servir para adquirir equipamentos permanentes nas cidades vizinhas como Palmital, Candido Mota e Paraguaçu Paulista, com melhor e muito mais prolongado aproveitamento dos recursos.

Entretanto, o maior escândalo, não citado pela mídia, são os dois países existentes dentro do mesmo território.

O custo da pandemia, causado pela redução da atividade econômica, atinge apenas e unicamente os representantes da iniciativa privada cujas empresas perdem renda, demitem funcionários e muitas entram em falência.

Desde a maior montadora de automóveis até o pipoqueiro, todos pagam o preço da desaceleração da economia e da redução das vendas, enquanto os protegidos pelo guarda-chuva estatal, seja nos Municípios, nos Estados ou na União, apenas desfrutam de férias remuneradas com todos os direitos, vantagens e privilégios mantidos.

Parlamentares e executivos de todos os níveis como vereadores, deputados e senadores, prefeitos, vice-prefeitos e seus assessores, assim como juízes, promotores de justiça, procuradores e todo corpo funcional, com dinheiro no bolso, esperam em casa pelo fim do vírus, enquanto o motoboy ou o encanador enfrentam riscos todos os dias para garantir o sustento das famílias.

No Brasil, temos o vírus público e o vírus da iniciativa privada, cujos efeitos sobre as duas categorias profissionais são absolutamente vergonhosos e injustos.

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