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“…não se pode comemorar algo que já existia como se fosse uma conquista.”

 

Na tarde de primeiro de abril, o folclórico Dia da Mentira, o governador João Dória deu um show de dissimulação na entrevista em que reuniu pequeno grupo de jornalistas e assessores para informar que o Projeto Guri seria mantido. Ganhou aplausos de encomenda, pois não se pode comemorar algo que já existia como se fosse uma conquista. Mas foi assim que o Governo do Estado tratou o caso: criou a confusão ao tomar uma decisão açodada, demitiu professores em várias cidades, anunciou o fim dos pólos de educação musical e depois voltou atrás como se fizesse favor ao povo, mas sem explicar os reais motivos da balbúrdia.

A verdade que não veio à tona, e não seria no dia da mentira que isso aconteceria, é que o secretário de finanças do governo estadual, o ex-ministro da fazenda na gestão de Michel Temer, o economista e candidato derrotado à presidência Henrique Meirelles, está fazendo cortes profundos no orçamento superdimensionado pelo ex-governador interino Márcio França, que se candidatou à reeleição e perdeu. Sem explicar os motivos da crise, o governador preferiu apenas ser o portador da boa notícia, indicando um posicionamento político marqueteiro exagerado ao evitar o tema mais polêmico, mas que esclareceria a lambança do Guri.

O mais grave neste caso é que, muito provavelmente, o secretário apresentou os números assustadores ao governador para decidir os setores que seriam afetados e, como de praxe, a Cultura foi uma dos escolhidos, ainda que represente parcela ínfima do orçamento estadual. Mais assustador ainda é saber que a decisão foi tomada por um governador que se apresenta como gestor moderno, com formação em jornalismo e marketing, conhecedor da importância da formação integral do cidadão por meio da educação, da cultura e da boa informação, mas que agiu exatamente como fariam os mais toscos e retrógrados.

Se existe desperdício ou contratos irregulares com a empresa gestora do Projeto Guri, que sejam feitas propostas de readequação, assim como essas mesmas medidas devem ser adotadas nas empresas de economia mista, como a Sabesp, e também junto às concessionárias de serviço público, principalmente às das rodovias que transformaram bens públicos em excelentes negócios privados. Sem mudar conceitos, paradigmas e, principalmente, a forma de se comunicar com a população, qualquer governo de esquerda, direita ou centro, de novatos ou de antigos, corre o risco de continuar fazendo do calendário uma sucessão de primeiros de abril.

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