No aniversário de 255 anos da cidade no interior paulista, g1 detalhou como uma suposta lenda foi confirmada por arquiteta durante obra de reforma do prédio tombado
Lendas sobre pessoas que foram enterradas em paredes habitam o imaginário popular em várias cidades do Brasil. Porém, no caso da igreja São Benedito, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, a história foi confirmada. Realmente havia um corpo emparedado na taipa e com nome, sobrenome e título: Capitão Miguel de Araújo Ferraz.
No aniversário de 255 anos da cidade no interior paulista, o g1 detalha como uma suposta lenda foi confirmada durante a obra de reforma do prédio tombado.
Em 2010, Sonia Di Maio, arquiteta da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, e Nadia Kojio, historiadora e coordenadora do Arquivo Público municipal, estavam fazendo o restauro no local quando Sonia notou algo de diferente em uma das paredes.
“A gente estava fazendo a costura em algumas rachaduras da parede de taipa da capela e quando a gente foi mexer, percebemos que tinha alguma coisa entranha nela”, relembra a arquiteta sobre o dia em que o corpo foi encontrado.
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Igreja de São Benedito, em São José dos Campos — Foto: Claudio Vieira/ PMSJC
O capitão que estava na parede
Miguel de Araújo Ferraz viveu em São José dos Campos no século 19 e doou terras à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, para que pudessem construir uma capela em homenagem à santa.
Segundo o livro “O Álbum de São José”, publicado em 1934, a capela Nossa Senhora do Rosário foi demolida em 1879 e ao removerem os corpos que estavam enterrados no local, encontraram o cadáver de Miguel, quase intacto.
O capitão ganhou notoriedade ter o corpo incorrupto no processo, ou seja, por ter se mantido intacto sem o uso de qualquer método de embalsamamento ou conservação.
Ele costumava fazer doações e contribuir com benfeitorias da igreja, o que dava direito de que o corpo fosse enterrado na igreja, em vez de em um cemitério.
Miguel foi levado para a capela de São Benedito e enterrado em uma das paredes de taipa – as paredes do local foram erguidas por José Vicente, conhecido como Taipeiro.
Relatos contam que era possível ver a silhueta do corpo dele através da parede e por isso sua família resolveu coloca-lo dentro de uma espécie de urna, para que a forma não pudesse ser mais vista. Porém, o local onde o capitão foi enterrado não foi marcado de nenhuma forma, e sua localização ficou perdida até 2010.
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Igreja de São Benedito no século XX — Foto: Reprodução/Arquivo Público de São José dos Campos
A confirmação
Durante as reformas da capela, uma das paredes precisou ser restaurada por conta de rachaduras que amaçavam sua estrutura e enquanto a analisavam, as duas perceberam que tinha algo estranho dentro da parede.
“Eu consegui enxergar uma fita amarela e uma branca pregadas nas beiras da caixa e eu sabia que fita amarela marcava alguém que era tido como santo. Daí eu já falei: ‘é o capitão, é o capitão!’. Eu falei brincando, mas no final era ele mesmo”, relembra Sonia.
Segundo Sonia, a caixa tinha cerca de 1,60 metro e dentro havia ossos e pedaços de peças de roupa. Um arqueólogo, com autorização municipal, foi chamado e após testes e análises ficou provado que a ossada realmente era do Capitão Miguel de Araújo Ferraz.
A urna com os ossos do capitão ainda estão dentro da parede de taipa da igreja São Benedito, em São José dos Campos. De acordo com Sonia, em breve o prédio passará por uma nova restauração, mas não há planos de remover os restos mortais da parede.
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Igreja de São Benedito, em São José dos Campos — Foto: Arquivo Público de São José dos Campos
FONTE: G1


