A mulher presa na terça-feira (27/01) por suspeita de envolvimento na morte de uma jovem encontrada ao lado de uma piscina em Lins (SP) trabalhava com a vítima em um supermercado e foi quem a convidou para ir a uma festa na área de lazer onde Beatriz Callegari de Paula, 26 anos, morreu no dia 16 de janeiro.
Inicialmente, o caso foi registrado como morte suspeita, e a amiga de Beatriz havia relatado que a jovem teria sofrido uma descarga elétrica. No entanto, o laudo apontou afogamento como causa da morte, e a investigação passou a ser conduzida como homicídio.
A suspeita é Grazielli de Barros Silva, de 40 anos. A prisão temporária foi deferida pela Justiça a pedido da autoridade policial e cumprida na terça-feira (27/01)
Em entrevista ao g1, o irmão de Beatriz, disse que a irmã ficou bastante próxima da suspeita quando se conheceram no trabalho, mas nos últimos tempos tinham se afastado.
“Elas se conheceram no mercado, onde a minha irmã trabalhava também. No começo, elas se viam sempre”, afirma o churrasqueiro Alexandre Callegari de Paula, irmão de Beatriz.
Alexandre disse ainda que a dupla se afastou por causa do ex-namorado de Beatriz, que costumava ter atitudes violentas e, inclusive, teria agredido amigas da jovem por ciúmes, entre elas, a suspeita do crime.
No entanto, depois de um tempo de afastamento que o irmão não soube estimar exatamente, a suspeita retornou o contato com a vítima para convidá-la para a festa na área de lazer, que é um espaço alugado para confraternizações.
Segundo Alexandre, Beatriz estava evitando sair de casa por causa de ameaças e perseguição do ex-namorado, contra o qual tinha, inclusive, medidas protetivas, mas aceitou ir à festa.
“Do nada, no mesmo dia, ela chegou conversando com a minha irmã para falar sobre a festa, disse que era uma festa particular para ninguém ficar sabendo”, comenta.
Laudo apontou morte por afogamento
Grazielli de Barros Silva, de 40 anos, foi presa na terça-feira (27/01) após a divulgação do laudo, no dia 23 de janeiro, que apontou a causa da morte por afogamento, contradizendo a versão dada inicialmente de que Beatriz tinha sofrido uma descarga elétrica.
Segundo a Polícia Civil, a decisão de pedir a prisão temporária da suspeita se baseou nas contradições entre o depoimento dela e o resultado da perícia. No momento da morte, Beatriz estava acompanhada apenas da suspeita.
Ainda segundo a polícia, apesar de ter convidado a vítima para uma festa, apenas mais uma pessoa esteve no local, além de Beatriz e da suspeita, um amigo da mulher, que teria ido embora uma hora antes dos bombeiros serem acionados.
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Beatriz Calegari de Paula, de 26 anos, foi encontrada morta em uma área de lazer de Lins (SP) — Foto: Reprodução
Beatriz foi encontrada caída de costas, vestindo biquíni, com parte do corpo sobre a tampa metálica do motor da piscina. Os bombeiros chegaram a desligar a energia e constataram a morte da vítima.
Ainda de acordo com boletim de ocorrência registrado no dia, havia equipamentos elétricos próximos do corpo, mas por fim, o laudo do Instituto Médico Legal descartou a morte por eletrocussão e apontou a causa por afogamento.
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Após laudo descartar descarga elétrica, polícia prende amiga de jovem encontrada morta ao lado de piscina por suspeita de homicídio — Foto: Foto: Arte/g1
Ao g1, a defesa de Grazielli de Barros Silva afirmou que a prisão foi prematura e sem fundamentos legais. Segundo o advogado Celso Modonesi, Grazielli sempre esteve à disposição da polícia, não apresentou risco de fuga nem tentou obstruir as investigações.
A defesa também questiona a condução das perícias, diz que não teve acesso imediato aos laudos e contesta a conclusão de afogamento, sustentando que a hipótese de descarga elétrica não foi devidamente considerada.
Por fim, afirma que Grazielli é primária, tem residência fixa, emprego formal e é mãe de uma criança, e pede a revogação da prisão temporária. (Nota na íntegra ao final da reportagem).
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), os laudos requisitados ao Instituto de Criminalística (IC) estão em elaboração para auxiliar no completo esclarecimento dos fatos.
O caso é investigado como homicídio por meio de inquérito policial instaurado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Lins.
Nota na íntegra da defesa de Grazielli de Barros Silva
O advogado de Grazielli de Barros Silva, Celso Modonesi, afirma que a prisão foi prematura e injustificada, baseada em alegações que não condizem com a realidade dos fatos.
Segundo ele, a autoridade policial sustentou o pedido de prisão temporária sob o argumento de risco de fuga, suposta manifestação da acusada em redes sociais, prejuízo às investigações e paradeiro incerto.
Ainda de acordo com a defesa, no dia 20 de janeiro a polícia informou ter recebido a notícia de que a acusada estaria internada em um hospital psiquiátrico, mas que, após diligência, não teria sido confirmada a entrada no local.
No mesmo dia, no período da tarde, o advogado afirma que compareceu à delegacia, apresentou procuração e se colocou formalmente à disposição da investigação, informando que protocolaria a documentação necessária e um atestado comprovando que a acusada estava em tratamento psiquiátrico em razão do choque emocional causado pela morte da amiga — o que, segundo ele, foi feito no dia seguinte.
A defesa relata que, desde então, compareceu diariamente à delegacia para solicitar acesso aos laudos periciais, mas teve negado tanto o laudo de necropsia quanto o laudo técnico da parte elétrica da área de lazer, que até hoje não foi concluído.
Ainda segundo o advogado, no mesmo dia, informações do caso foram repassadas à imprensa antes de a defesa ter acesso aos documentos.
No dia 26 de janeiro, o advogado afirma ter tido acesso a um laudo de necropsia considerado por ele incompleto, sem fotodocumentação e com falhas técnicas, que concluiu pela morte por afogamento.
No mesmo dia, a defesa protocolou pedido de quesitos complementares ao IML para esclarecimento das lacunas e juntada das imagens que fundamentariam o laudo, o que, segundo ele, ainda não foi respondido.
A defesa também questiona a condução da perícia no local, afirmando que a cena dos fatos não teria sido preservada, que o espaço foi alugado no dia seguinte e que houve acesso de terceiros antes da realização da perícia oficial, inclusive com a produção de um laudo particular pela proprietária do imóvel, o que, na avaliação do advogado, teria comprometido a produção de provas.
Outro ponto levantado é que, apesar de a defesa ter se apresentado formalmente desde o dia 20 de janeiro e reiterado diariamente que a acusada estava à disposição para prestar depoimento, isso não teria ocorrido. Para o advogado, o pedido de prisão foi baseado em informações inverídicas e teria sido usado para responder ao clamor público, sem a produção de provas substanciais.
A defesa afirma ainda que não há indícios de autoria, questionando como uma pessoa de 64 quilos poderia ter afogado uma vítima de 80 quilos sem qualquer marca de luta corporal em ambas. O advogado também reforça que a acusada sustenta a versão de que a vítima teria sofrido uma descarga elétrica, hipótese que, segundo ele, não foi devidamente considerada.
Por fim, a defesa destaca que a acusada é primária, tem bons antecedentes, residência fixa, emprego formal, não obstruiu as investigações, não coagiu testemunhas e não apresentou risco de fuga.
Ressalta ainda que ela é mãe de um filho menor de 12 anos. Diante disso, sustenta que a prisão temporária não atende aos requisitos legais e pede sua revogação, alegando violação ao devido processo legal e ao direito ao contraditório.
Fonte: g1













