Túmulos cercados por grades de ferro, cadeados reforçados e estruturas improvisadas para impedir novos prejuízos. A imagem, que antes seria incomum em cemitérios, passou a fazer parte da rotina em cidades da região de Campinas. O motivo é a sequência de furtos e atos de vandalismo registrados ao longo deste ano.
Entre as principais reclamações estão placas de identificação arrancadas, vasos de bronze e alumínio levados, esquadrias metálicas furtadas, túmulos quebrados, covas abertas e mato alto, dificultando a visita das famílias — mesmo com a cobrança de taxas de zeladoria.
Sumaré: vandalismo recorrente e túmulo cercado por grade completa
No Cemitério Municipal da Saudade, em Sumaré, o marceneiro José Carlos Ferreira afirma que o vandalismo se intensificou nos últimos meses. O pai dele está enterrado no local há mais de dez anos.
“Todos os lugares mais para o fundo do cemitério estão destruídos. Quebraram o túmulo do meu pai no Dia de Finados e está até hoje assim. É uma falta de respeito”, afirma.
Segundo ele, há túmulos abertos com ossos humanos expostos e peças metálicas arrancadas. Em meio ao cenário de insegurança, um dos jazigos do cemitério foi cercado com grade completa ao redor de toda a estrutura, como tentativa de impedir novos furtos.
A Prefeitura de Sumaré informou que a segurança em prédios e áreas públicas é realizada de forma integrada com a Polícia Municipal, que mantém rondas periódicas na região do cemitério, especialmente em horários estratégicos. Sempre que há registro de ocorrência, as forças de segurança são acionadas.
O município orienta ainda que as vítimas formalizem boletim de ocorrência, afirmando que o registro é fundamental para direcionar ações específicas de prevenção e repressão.
Sobre a zeladoria, a administração informou que o cemitério demanda manutenção contínua, principalmente em períodos de chuva, quando o crescimento da vegetação é acelerado. Segundo a prefeitura, as equipes realizam serviços regulares de limpeza, roçagem e conservação, seguindo cronograma estabelecido, e há plano permanente de manutenção com reforço das equipes conforme a necessidade.
Campinas: mato alto e necessidade de reforma

Famílias relatam mato alto e jazigos danificados (Foto: Reprodução/EPTV)
O Cemitério da Saudade, em Campinas, é o maior e mais antigo da cidade, tombado como patrimônio histórico e considerado um museu a céu aberto.
Apesar da importância histórica, moradores relatam falta de cuidado.
Segundo Samuel Corrêa de Mello, “infelizmente o Cemitério da Saudade em Campinas está totalmente largado. Os jazigos na parte dos fundos estão imundos, é um verdadeiro descaso”.
Já Francisco Luiz Rovaris chama a atenção para o descaso com o cemitério mais antigo de Campinas.
“Estou no Cemitério da Saudade e estou chocado com a falta de cuidado. É quase impossível andar entre os túmulos. O mato está altíssimo em todos os pontos do cemitério”.
No Cemitério Parque Nossa Senhora da Conceição, popularmente chamado de Amarais, as reclamações também envolvem estrutura e manutenção. Washington Rodrigues reclamou do local.
“O Cemitério dos Amarais também não fica de fora. As salas são muito quentes, a estrutura é muito antiga e o mato tomou conta. Merece uma reforma urgente”.
A Setec informou que a limpeza das áreas comuns e do arruamento do Cemitério da Saudade não parou nos últimos 20 dias, mas reconheceu que houve falha da empresa contratada nesse período. Nos dias em que a empresa não compareceu, a administração afirmou ter organizado equipes próprias para realizar a manutenção, destacando que o espaço tem 180 mil metros quadrados, 30 mil sepulturas e 72 quadras, o que exige grande força de trabalho.
A autarquia informou que a empresa retomou os serviços na quarta-feira (04/03), foi intimada e notificada, e responde a processo de penalização que pode resultar em multa e até rescisão contratual.
A Setec ressaltou ainda que os concessionários são responsáveis pela manutenção dos jazigos. Em casos de abandono, os proprietários são notificados e, se não atenderem, podem perder a concessão.
Sobre segurança, o órgão afirmou que, nos últimos três anos, houve troca de muros e gradis em toda a extensão do cemitério, restauração do piso e instalação de 70 câmeras ligadas ao Centro Integrado de Monitoramento. Segundo a administração, após o reforço, os furtos foram zerados.
Em relação ao Cemitério dos Amarais, a Setec informou que o projeto de reforma dos velórios está pronto e que busca recursos para iniciar as obras. A manutenção, segundo o órgão, está em dia.
Piracicaba: patrulhamento da Guarda e PMI em andamento
Em Piracicaba, foram registradas 13 ocorrências em 2025, o maior número da região. No Cemitério da Saudade, familiares relatam furtos frequentes de placas e vasos.
Adriana Victória, dona de casa, visitou o túmulo do pai na manhã desta quarta-feira e teve uma surpresa desagradável.
“Hoje seria aniversário do meu pai e eu vim trazer uns vasinhos. Mas levaram o vaso de bronze e levaram a placa. Há 51 anos esse vaso de bronze estava aí. Há 15 dias eu vim, ele estava aí, hoje não está mais. Está muito triste. Se andar por aqui, cada túmulo está faltando uma placa, um vaso. É triste. Alguém precisa dar uma solução para isso”,lamentou.
A secretária executiva Sonia Rossete afirma que o túmulo dos pais foi furtado três vezes.
“Na primeira vez levaram as placas e o vaso de bronze. Na segunda, fizemos de alumínio e levaram também. Na última vez, quebraram a parte da vidraria para tirar as esquadrias de alumínio. A administração pública falha muito na questão da segurança”,criticou.
Izilda Cella, que trabalha como zeladora no cemitério há pelo menos 25 anos, afirma que nunca viu tantos furtos.
“Está acontecendo de uns tempos pra cá. Teria que subir os muros ou colocar uma cerca elétrica que preste”,disse.
A Prefeitura de Piracicaba informou que mantém contrato com empresa responsável pela manutenção dos cemitérios. À noite, a Guarda Civil Municipal realiza patrulhamento na região, abrangendo também as áreas internas dos cemitérios da Saudade e da Vila Rezende, nos períodos diurno e noturno, todos os dias da semana.
O município informou ainda que está em andamento um Procedimento de Manifestação de Interesse para selecionar uma administradora para os espaços, o que pode resultar em novo modelo de gestão.
Limeira: reclamações de mato alto e furtos repetidos
Em Limeira, que também registrou 13 ocorrências neste ano, moradores reclamam do mato alto no Cemitério Parque Limeira.
Edineia Gama Ribeiro relata dificuldade para visitar o local.
“O Cemitério Parque Limeira está tomado pelo mato, dificultando a visita das famílias aos túmulos”, afirma.
A Prefeitura informou que o problema já está sendo enfrentado com mutirões de capinação coordenados e fiscalizados pela Secretaria de Meio Ambiente. Segundo a administração, os serviços de zeladoria e manutenção seguem sendo realizados regularmente por equipe própria e por colaboradores da Frente de Trabalho.
Quanto aos furtos, o município afirmou ter ciência das ocorrências e que implementa plano de ação com intensificação das rondas e vigilância permanente. As famílias afetadas, segundo a prefeitura, recebem atendimento imediato, com comunicação do ocorrido, registro de boletim de ocorrência e, quando possível, devolução de itens recuperados para recomposição do jazigo.
Fonte: ACidade ON.













