“…subordinação ao poder político, econômico e bélico dos EUA…”
O jornalista, dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues criou, na década de 1950, o conceito “complexo de vira-lata” baseado no sentimento de inferioridade do brasileiro em comparação ao resto do mundo, quando menospreza a própria cultura como inferior a de outros países.
O termo foi usado inicialmente em crônicas publicadas depois da derrota histórica da Seleção Brasileira para o Uruguai, na final de Copa do Mundo de 1950, no Maracanã, para explicar o motivo pelo qual os brasileiros e os jogadores entraram em campo com sentimento de inferioridade.
Desde então, o termo é lembrado e utilizado para definir posicionamentos de fraqueza e mediocridade ou sentimentos de subordinação de nossos representantes ou das lideranças em negociações ou nos embates com outras nações, mas principalmente pela falta de confiança em nosso poder, capacidade e força.
Os exemplos estão na importação da cultura, acreditando que as artes de fora são melhores; na utilização de gírias ou expressões em inglês, pelo estrangeirismo arrogante que desmerece o vocabulário nacional; e pela valorização de produtos importados, mesmo sem prova de superioridade em comparação aos nossos.
Com a ascensão do presidente personalista Donald Trump, considerado populista de direita e de pouco apreço pela democracia, a nossa política polarizada também se rendeu de maneira acentuada à subordinação ao poder político, econômico e bélico dos EUA, que historicamente interfere em nosso destino.
O presidente Lula, que se apresenta ao mundo como questionador e opositor de Trump, usa os encontros protocolares com o líder norte-americano para expressar poder e autoridade pessoal e, assim, mostrar força junto à sua oposição e reforçar sua desgastada imagem de estadista.
Por outro lado, o candidato do outro polo ideológico, filho escolhido pelo ex-presidente Bolsonaro para retomar o poder, também se rasteja aos pés e aos caprichos insondáveis do líder que perde popularidade em seu próprio país e que já corre o risco de perder poder nas próximas eleições legislativas.
A postura subserviente e bajuladora ao presidente Trump pelos dois principais candidatos à presidência do Brasil apenas reforça a tese do viralatismo nacional, provando que a postura de inferioridade não escolhe posição política e muito menos ideológica ao afetar de maneira vergonhosa tanto a direita como a esquerda.
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