“…o próprio vereador prefere utilizar serviços médicos particulares…”
Na terceira tentativa em dois anos, a Câmara Municipal de Palmital aprovou um mecanismo legal que destina verba pública para garantir atendimento médico e odontológico particular para funcionários e, outro em tramitação, também para vereadores, criando mais privilégios para agentes muito bem remunerados que podem arcar com as despesas de tratamento de saúde.
Outro aspecto a se considerar é que a grande maioria da população, que paga os impostos que viabilizam o funcionamento das instituições municipais, tem como alternativas o serviço do SUS, administrado pelo próprio município, ou a contratação de planos particulares às próprias expensas.
Além das vantagens pessoais e familiares concedida a agentes públicos, que os distanciam da população e da maioria do funcionalismo, a criação de planos de saúde particulares para órgãos oficiais de Municípios, Estados e da União se transforma em prova de que os próprios administradores, ou os fiscais do serviço de atendimento ao povo, preferem usar o serviço particular.
Assim como o serviço de saúde, os políticos podem, de forma voluntária, e como exemplo de confiança no sistema, utilizar a rede municipal de educação para suas famílias, que deveriam frequentar as escolas públicas.
Os salários e subsídios muito acima da média da população, as vantagens pessoais e familiares usufruídas e os privilégios criados em benefício de poucos distanciam muito os agentes políticos e um reduzido grupo de funcionários do restante da sociedade.
O trabalho de fiscalizar e cobrar a melhoria do atendimento à saúde perde o sentido quando o próprio vereador prefere utilizar serviços médicos particulares, seja por meio de planos de saúde ou pelo reembolso financeiro, como pretende boa parte da Câmara Municipal.
Entre as justificativas para criar um plano de saúde particular para vereadores e funcionários da Câmara Municipal, foi citado o péssimo exemplo da Câmara Municipal de São Paulo, a cidade mais rica do país e a que mais enfrenta questionamentos judiciais e dos Tribunais de Contas.
Em vez de copiar os exemplos de cidades maiores, mais ricas e contaminadas pelos privilégios, o correto é se espelhar nos municípios mais enxutos e econômicos, cujos políticos atuam mais pelo idealismo e que os recursos são destinados ao atendimento à população mais necessitada dos serviços públicos graças à devolução de verbas economizadas.
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