“…parte significativa dos políticos brasileiros têm motivos de sobra para temer a imprensa…”
O acirramento de opiniões entre partidários do presidente Bolsonaro e do ex-presidente Lula está levando a sociedade brasileira à uma divisão inútil, absurda e inconsequente, pois o posicionamento radicalizado de ambos os lados nada acrescenta de positivo em ideias ou projetos de interesse público. Muito ao contrário, as posturas estremadas carregam apenas comportamentos e atitudes destrutivas em relação à economia, às artes, aos espetáculos, aos artistas, às pessoas e às amizades. A ridícula campanha de mobilização para acabar com a audiência da Rede Globo, por exemplo, é um dos sintomas mais claros da intolerância.
Apenas para contextualizar fatos recentes, que devem estar na memória de todos, entre 2015 e 2016 essa mesma TV Globo, hoje refutada pelos bolsonaristas, era acusada de golpista pelos petistas mais apaixonados. Essa lembrança comprova que não existe o partidarismo tão explícito e deliberado por parte da emissora, vez que ambos os lados têm motivos para renegar muitas notícias e também para usar vídeos da mesma contra adversários. Se quem não deve não teme, infelizmente vemos que parte significativa dos políticos brasileiros têm motivos de sobra para temer a imprensa, enquanto praticamente todos querem a comunicação domesticada.
Desde que chegou ao poder, o PT não fez outra coisa além de aliciar os principais veículos de comunicação e muitos artistas com recursos de estatais e de empresas de economia mista, além de investir pesado nos institucionais do próprio governo. Paralelamente, passou a financiar os chamados Blogs sujos da internet, aqueles com jornalistas comprados para fazer apologia ao partido e atacar adversários. Assim se deu o inicio da divisão do país entre o Nós e Eles, criando enormes e desnecessárias fissuras sociais de difícil solução.
Bolsonaro agiu de maneira contrária, pois ao escolher na campanha o veículo de comunicação mais forte como inimigo e manifestar rejeição ao esquema do adversário, depois de eleito foi obrigado a criar uma rede paralela de emissoras menores, como Record e SBT, cometendo o mesmo pecado do antecessor. E, como a imprensa precisa de recursos para a viver e os políticos precisam de publicidade para sobreviver, os correligionários de ambos os lados vivem em dilema permanente. Hoje, o que se tem são petistas apresentando comportamento radicalizado e até fascista contra o governo e bolsonaristas com sintomas claros de petismo galopante. Ninguém tem razão.













