“…brasileiros se nutriam de esperança ao assistir em horário nobre o espetáculo da punição a corruptos…”
Nove dias antes de completar sete anos de idade e com muita história a contar, a Operação Lava Jato foi sepultada repentinamente por decisão monocrática de um ministro do STF, justamente aquele que se apostavam fichas como último combatente da corrupção.
Nascida em 17 de março de 2014 ao ser unificada com as operações Dolce Vita, Bidone e Casablanca, a Vara Federal de Curitiba, que tinha como titular o juiz Sérgio Moro, já pródigo em condenar figurões intocáveis da política, passou a coordenar os trabalhos que, desde o início, se mostraram árduos e polêmicos.
Os brasileiros se nutriam de esperança ao assistir em horário nobre o espetáculo da punição a corruptos, corruptores e fraudadores da República, igualados a meliantes comuns presos pelo furto do mercadinho.
Muitos foram enquadrados por corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida e outros crimes comuns aos meios político e empresarial nacional.
Foram mais de mil mandatos de busca e apreensão, prisão temporária, preventiva e condução coercitiva em 80 operações que levaram mais de 100 pessoas à cadeia, até chegar ao então alvo-mor, Luiz Inácio.
O país se dividiu entre fãs e detratores de Moro, que não se intimidou e muito menos cedeu aos contínuos ataques à sua reputação.
Suas sentenças foram confirmadas em segunda instância e vários recursos interpostos junto ao STF foram negados, inclusive pelo próprio Fachin, o mesmo que jogou a pá de cal sobre o trabalho de uma equipe grampeada por um hacker estrangeiro travestido de jornalista.
Foi quando se fortaleceu a narrativa para tornar os corruptos inocentes e o juiz culpado.
Depois de muito ruído, incontáveis voos, montanhas de documentos e computadores remexidos, bizarras e vergonhosas delações e milhares de horas de noticiário expondo a bandalheira que transformou notórios corruptos, como Paulo Maluf, em aprendizes, o mesmo Supremo, aquele que acompanhou cada passo e decidiu junto com a Força Tarefa, descobriu que o juiz sentenciador estava na cadeira errada.
O ex-presidente preso “injustamente” durante 580 dias, tem seus processos transferidos para a Vara de Brasília, onde o juiz está sentado na cadeira certa e a prescrição dos crimes, a impunidade, é mais que certa.
Lula merece uma bilionária indenização para responder a Renato Russo: Que país é esse?













