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A cobertura da posse do presidente Jair Bolsonaro na terça-feira foi a primeira prova de fogo da guerra travada entre o novo governo e a chamada grande mídia, neste caso a Rede Globo de Televisão. Mesmo com a forte campanha pelas redes sociais propondo boicote, somada à falta de atenção do eleito para com a emissora líder de audiência a mais de 40 anos, o resultado apurado pelo Ibope foi simplesmente acachapante, com superação absoluta e folgada da TV da família Marinho sobre as duas concorrentes, a Record e o SBT, que, somadas, ficaram mais de 20% atrás.

O mesmo fenômeno ocorre nos EUA com o presidente Donald Trump, que escolheu a mídia como principal inimiga, mais como forma de não dar satisfações de suas besteiras do que como estratégia, e cujas acusações permanentes de fake news (notícias falsas), só fizeram alavancar a credibilidade, a audiência e a tiragem de veículos de comunicação impressos e eletrônicos. O New York Times, por exemplo, considerado o maior jornal do mundo, ganhou mais assinantes e respeito dos leitores desde que o presidente passou a acusar a imprensa de mentirosa, o que fez com que muitos leitores passassem a observar os fatos e as notícias veiculadas de forma mais apurada.

No caso brasileiro, assim como nos Estados Unidos e no restante do mundo, é preciso lembrar que os veículos de comunicação desfrutam de muito mais credibilidade e confiança do que a classe política e que apenas os mais fanáticos é que seguem as orientações dos representantes dos partidos. Outro aspecto a se lembrar é que os políticos passam, mesmo que demore um pouco, enquanto os veículos de comunicação permanecem como porta-vozes da população. Ainda que tenha posicionamento político, um jornal, uma rádio ou uma TV são anos luz mais isentos do que qualquer meio de comunicação oficial, bancado com dinheiro público e transformado em cabide de emprego.

No caso do presidente Jair Bolsonaro, ele acerta quando decide acabar com a TV Brasil, criada no mandado do presidente Lula e que se transformou em panfleto partidário de elevado custo para o contribuinte. Muitos profissionais que trabalham na emissora são oriundos de movimentos sociais e políticos e tem salários muito superiores à média da categoria. Entretanto, quando o presidente alimenta uma guerra contra veículos tradicionais como a Folha de São Paulo e a Rede Globo, ele apenas está alijando parte do seu eleitorado de receber informações ao mostrar desconhecimento da força da mídia.

“…um jornal, uma rádio ou uma TV são anos luz mais isentos do que qualquer meio de comunicação oficial…”

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