Advogado Leandro Bergonso tem prisão solicitada pelo MP de Assis

O escândalo de possível desvio de combustível  que envolve os principais assessores da prefeita Telma Spera, de Assis, rendeu mais um capítulo.

O MP-SP  – Ministério Público do Estado de São Paulo – ofereceu denúncia contra nove pessoas investigadas por roubo e ameaça contra o vereador Fernando Sirchia, presidente da CPI dos Combustíveis, que apura irregularidades no abastecimento da frota da Prefeitura Municipal de Assis.

Entre os denunciados está o advogado Leandro Aguilera Bergonso, que foi secretário de Governo e considerado o “número 1” entre os assessores da prefeita Telma Spera.

Leandro pediu exoneração do cargo em meados de julho, logo depois das primeiras prisões do caso, alegando “massacre” à sua imagem pública e ataques a familiares.

Na manifestação do MP-SP protocolada na Justiça em 14 de agosto e tornada público na quinta-feira (20/08), a promotoria de Assis pediu a prisão preventiva de Bergonso.

Ele teria participado do planejamento da ação criminosa contra o vereador e, como responsável pelo CCO – Centro de Controle Operacional – da Prefeitura, teria autorizado a supressão de registros do sistema de monitoramento por vídeo da cidade.

Segundo a denúncia, a supressão das imagens não teria sido uma medida adotada apenas depois do ataque. O MP afirma que o ex-secretário de Obras Leandro Gabrigna e os funcionários comissionados Wagner Binati e Matheus Felício, presos pela Polícia Civil no mês passado, teriam combinado previamente com Bergonso que as imagens das câmeras não seriam preservadas nem entregues aos investigadores do caso.

De acordo com a Promotoria, essa garantia teria integrado a divisão de tarefas do grupo e garantido segurança aos envolvidos para realizar a abordagem nas proximidades de equipamentos de videomonitoramento.

A denúncia afirma que Bergonso, junto com o servidor do CCO Hugo Ricardo Gonçalves, teria atuado para modificar os registros digitais com o objetivo de dificultar a produção de provas para eventual investigação criminal.

Segundo o MP, entre 31 de março e 24 de abril de 2026, o então secretário de Governo e o servidor do CCO teriam alterado artificiosamente o estado dos registros do sistema, conduta enquadrada pela Promotoria como fraude processual.

A denúncia aponta que eles fizeram intervenção no software Luxriot EVO, para comprometer o histórico de auditoria e dificultar a identificação de eventuais exclusões ou alterações dos dados.

Na denúncia, o MP-SP atribui a Leandro Bergonso quatro crimes: roubo majorado, coação no curso do processo, fraude processual majorada e associação criminosa armada. A acusação sustenta que o advogado teria concorrido para a coação e o roubo praticados contra Fernando Sirchia e também para a fraude processual relacionada aos registros do sistema de monitoramento.

As imputações apresentadas pela Promotoria ainda serão analisadas pela Justiça, que poderá ou não decretar a custódia do advogado.

O MP denunciou Leandro Gabrigna, Wagner Binati e Matheus Felício por roubo majorado, coação no curso do processo, fraude processual e associação criminosa armada e pediu a prisão preventiva dos três.

Rodrigo Timóteo e Eduardo Góes foram denunciados por crimes relacionados ao roubo e também tiveram as prisões requeridas.

André Victor Pereira de Moraes, que praticou o crime à mão armada contra o vereador, deve responder por roubo, coação e associação criminosa. Hugo Ricardo Gonçalves foi denunciado por fraude processual na atuação no CCO, com recomendação de medidas cautelares, incluindo afastamento do serviço da central de vídeo e suspensão dos acessos aos sistemas dos dados do monitoramento.

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Cláudio Pissolito

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