“…política pública para geração de empregos precisa observar a força da agroindústria e dos pequenos e microempresários.”    

 

Em qualquer pesquisa de opinião pública feita na região aparece como primeira necessidade o aumento da oferta de empregos e, quase sempre, é apontada a industrialização como meio de suprir a carência e incentivar o desenvolvimento econômico. Essa mística da indústria como principal meio de ocupação de mão-de-obra não se sustenta quando se observam os números oficiais, com base em contratações e demissões de empregados, pois, seja em nível nacional ou municipal, há muito tempo se sabe que 90% dos empregos formais são mantidos pelas pequenas e micro empresas.

A comprovação se verifica em Palmital, cidade com pouca oferta de ocupação industrial, mas que mantém mais de 700 empregos diretos apenas na rua principal da cidade, seja em escolas, restaurantes, autopeças, panificadoras, lojas, confecções, supermercados e até bares e lanchonetes. É provável que a única empresa que ocupa mais mão de obra que os pequenos comerciantes da Rua Manoel Leão Rego seja a Destilaria Tirolli, mas com grande número das contratações sazonais, no período restrito às safras de cana-de-açúcar.

Outra grande empregadora individual é a indústria da Tereos, em franco crescimento na cidade, seguida das cooperativas agrícolas e das unidades comercializadoras e armazenadoras de grãos. E, considerando que praticamente a totalidade dos empregos industriais, com raras exceções, são oferecidas pelas agroindústrias, e que o restante, em maioria, está nos pequenos empreendimentos individuais ou familiares, deve-se considerar que ambos os setores é que merecem e necessitam de incentivo. Portanto, qualquer política pública para geração de empregos precisa observar a força da agroindústria e dos pequenos e microempresários.

A criação de cooperativas para agregar valor aos produtos que saem das lavouras deve ser a primeira medida de incentivo, pois quase a totalidade dos grãos produzidos em elevada escala são simplesmente transportados para as indústrias de grandes centros ou exportados. Com o aproveitamento da matéria prima produzida nas propriedades rurais, que também geram empregos, seria ampliada a cadeia de produção e o número de funcionários para industrialização dos produtos agrícolas. A partir da criação de empregos industriais com base na agricultura, haveria mais renda e mais consumidores que, consequentemente, iriam movimentar os pequenos comércios e prestadores de serviços e criar mais empregos e renda.

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