Baixa vazão do Paranapanema é tratada como crise hídrica; assunto foi tema do Jornal Nacional
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Na sexta-feira, 1º de março, a Agência Nacional de Águas (ANA) realizou a primeira reunião da Sala de Crise do Paranapanema para discutir a situação da bacia hidrográfica do rio Paranapanema, que faz divisa entre Paraná e São Paulo.

 

Barragem de Jurumirim

 

A região passa por um período desfavorável em termos de chuvas e afluências neste período chuvoso. Atualmente a ANA tem salas de crise para discutir as situações dos rios São Francisco, Tocantins, Madeira e da hidrovia Tietê-Paraná.

Durante o encontro, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou cenários de operação da usina hidrelétrica (UHE) Jurumirim com a liberação de 60m³/s e de 100m³/s, sendo que o reservatório da usina acumulava 14,46% de seu volume útil em 28 de fevereiro.

Há um ano, na mesma data, a hidrelétrica estava com 77,13%. A defluência mínima de Jurumirim, segundo o Contrato de Concessão nº 76/1999, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), é de 147m³/s.

Na reunião ficou pactuado que a empresa chinesa CTG Brasil, pertencente à China Three Gorges Corporation, maior empresa de geração hidrelétrica do mundo e segunda empresa privada de geração de energia do Brasil, que opera a Usina Hidrelétrica Jurumirim, além de outras sete do Rio Paranapanema, incluindo Canoas I e Canoas II, em Cândido Mota e Palmital, encaminhará documento para a ANEEL solicitando a flexibilização temporária da vazão mínima defluente da usina.

A empresa deseja que o mínimo seja abaixo dos 147m³/s. A medida visa a estabilizar o sistema formado pelos reservatórios Jurumirim, Capivara e Chavantes, que estão registrando a redução dos volumes acumulados nos últimos meses.

Os vários reservatórios do rio Paranapanema estão com o nível de armazenamento mais baixo dos últimos 19 anos para esta época de chuvas, abaixo de 18%. No caso de Jurumirim, desde 2000 o menor volume útil registrado para 28 de fevereiro foi no próprio ano 2000, quando o percentual chegou a 29,81%, muito acima dos 14,46% registrados no dia 27.

Para Chavantes, que registrava 18,91% no dia 28 de fevereiro, o menor volume anterior dos últimos 19 anos para a mesma data havia acontecido em 2015, quanto o reservatório chegou a 26,72%.

Outra decisão tomada diz respeito aos boletins diários sobre a situação hidrológica do rio Paranapanema, que serão publicados em dias úteis na página da Sala de Situação no site da ANA a partir da próxima semana.

 

Bacia do Paranapanema

O rio Paranapanema nasce na Serra Agudos Grandes, em Capão Bonito (SP) e percorre 929 km até desaguar no rio Paraná. O curso d’água é usado para abastecimento, irrigação, navegação, geração de energia elétrica, criação de peixes, lazer, entre outras atividades.

Mais do que uma divisa entre Paraná e São Paulo, o rio Paranapanema é um eixo de integração entre duas regiões homogêneas em termos de identidade social, cultural e econômica.

A bacia do Paranapanema abrange o sul de São Paulo e o norte do Paraná com área de 106.554,534 km², 247 municípios (115 em São Paulo e 132 no Paraná) e população de mais de 4,7 milhões de habitantes.

Do Produto Interno Bruto (PIB) total dos municípios da bacia (R$ 76,5 bilhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2011), aproximadamente 24% (R$ 18,3 bilhões) referem-se às atividades industriais, 13% (R$ 10,1 bilhões) à agropecuária e 63% (R$ 48,1 bilhões) aos serviços.

 

UHE Jurumirim

A usina hidrelétrica Jurumirim começou a operar em 1962 entre os municípios de Piraju (SP) e Cerqueira César (SP) para regularização do rio Paranapanema e abastecimento de energia para a região do Médio Paranapanema. Com potência instalada de 100,9MW, este aproveitamento hidrelétrico possui um reservatório com capacidade para acumular 7,2 trilhões de litros d’água e abrange uma área inundada de 449km².

A empresa CTG Brasil opera as usinas de Jurumirim, em Avaré, de Piraju, Chavantes, Salto Grande, Canoas II, em Palmital, Canoas I, em Cândido Mota, Capivara, em Taciba, e Taquaruçu, em Sandovalina. O contrato de concessão tem validade até 2029.

 

Situação foi tema do Jornal Nacional

A baixa vazão na bacia do Rio Paranapanema foi citada na edição de sexta-feira, 8, do Jornal Nacional, quando a apresentadora Majú Coutinho explicou a situação de várias regiões do país com dificuldades de manutenção nos níveis dos reservatórios.

A diminuição do volume de água na bacia é acentuada e duradoura, constatada pelos frequentadores dos lagos que fazem utilização para esporte, lazer ou atividade comercial de piscicultura e irrigação. O baixo volume de água é mais perceptível na região de Florínea, cujos afluentes do reservatório usados como áreas de lazer se mantém com grandes áreas secas devido ao enorme recuo das margens das águas.

Com informações da Assessoria de Comunicação Social (ASCOM)

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