Criminalidade política

“…minorias dirigentes chafurdam de forma vergonhosa em privilégios e vantagens que jamais teriam acesso com o labor diário…”

 

A mais nobre atividade humana, representada pela política, interpretada como a arte de governar os povos ou de praticar a democracia participativa pela garantia do desenvolvimento e da justiça social, foi transformada em reduto da criminalidade por meio da corrupção, da malversação, da improbidade e das mais variadas formas de desvio de conduta. Eleitos para gerir o bem público com princípios éticos e morais e muita competência, se transformam em agentes do interesse próprio e de grupos e, rotineiramente, flertam com o delito qualificado, como comprovam as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

Os recursos públicos, o chamado erário, que se forma pela aplicação compulsória de recolhimento de impostos e taxas, que de forma acachapante empobrece a sociedade e limita a capacidade de investimento, não cumpre o papel de fazer a obrigatória devolução em obras e serviços de boa qualidade para melhoria da vida das pessoas. Ao contrário, significativa parte é destinada ao enriquecimento ilícito, às mordomias e à formação de enormes fortunas que jamais serão desfrutadas por aqueles que têm o dinheiro como meta de vida e não como meio de promoção pessoal e social das maiorias.

Os cargos que deveriam servir como instrumento para servir, demonstrar abnegação e praticar o idealismo sadio graças à cota de contribuição oferecida pelos mais privilegiados financeira e intelectualmente, tornaram-se trincheiras de larápios inconsequentes e despreparados cuja única finalidade é a locupletação eivada das piores intenções e praticada com os esquemas mais rasteiros. Os desvios e os desmandos sem qualquer paralelo em passado recente comprovam a degradação da atividade que deveria servir como exemplo às novas gerações que se sucedem no comando das instituições públicas.

Enquanto minorias dirigentes chafurdam de forma vergonhosa em privilégios e vantagens que jamais teriam acesso com o labor diário e honesto de suas parcas capacidades, a grande maioria de trabalhadores e prestadores de serviços é usada como geradores da riqueza que serve para bancar a conta elevada da incompetência. E os crimes de lesa-pátria se repetem com representantes dos executivos, dos legislativos e também dos judiciários partícipes e fiadores do sistema corrupto e corruptor que ajuda a manter a suja atividade da criminalidade pública que agora leva à cadeia.

 

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Cláudio Pissolito

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