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“…chegar atrasado a um evento ou a compromissos não é motivo de qualquer constrangimento.”

 

Entre os muitos maus hábitos cultivados pela nossa sociedade pouco instruída, com baixa escolaridade, de cultura incipiente e valores comprometidos, um dos mais comuns é a falta de pontualidade, conhecida como cultura do atraso. Em festas, eventos e até reuniões de trabalho é bastante recorrente que seja determinado o horário, mas mesmo assim todos têm a certeza de que haverá enorme adiamento, pois se combina para às 10 para que se inicie às 11 horas. Essa cultura que demonstra falta de comprometimento com o que foi acordado é uma falta grave, já que transmite às novas gerações o desapreço pelo compromisso.

Um dos países mais rico e mais civilizado do mundo, a Inglaterra, tem a pontualidade como sua marca cultural e o comprometimento com o horário se aplica a compromissos pessoais, sociais, festas, eventos e, principalmente, ao transporte coletivo. Nos pontos de ônibus, por exemplo, existem indicadores digitais que informam o horário exato de passagem de cada linha, o que mostra o respeito dos gestores do transporte para com a população. O mesmo comprometimento se verifica nas linhas do metro, no tempo de viagem dos taxis e no embarque e desembarque nos aeroportos e nas estações de trens.

O cumprimento rígido do horário, que para os britânicos é questão de honra, para muitos brasileiros trata-se apenas de mera informação sem importância, pois o fato de chegar atrasado a um evento ou a compromissos não é motivo de qualquer constrangimento. E, mantendo esse hábito do atraso cultural, perde-se tempo, dinheiro, paciência e até vidas, pois os consultórios médicos, sejam públicos ou privados, são os campeões do atraso e da falta de compromisso com os pacientes. Serviços de emergência com médicos plantonistas dormindo a noite toda e postos de saúde que acumulam filas para iniciar o atendimento são os piores exemplos.

Iniciativas recentes e positivas, como a implantação do Poupa Tempo, do Samu e das AMEs – Ambulatórios Médicos de Especialidades, começaram a quebrar esse nefasto paradigma, mas infelizmente o hábito arraigado de atrasar o atendimento já começa a comprometer a nova filosofia adotada. Afinal, os funcionários, médicos e socorristas que atendem nestes programas que determinam o cumprimento de horário são os mesmos que cumprem jornadas duplas no mesmo período em diferentes unidades, assim como muitos profissionais da iniciativa privada já mantém o atraso no atendimento como hábito comum.

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