• Post category:Editorial
Compartilhe

“…é bom lembrar e frisar que o Brasil está entre os países com excelente orçamento na educação…”

 

O anúncio da retenção de pouco mais de 3% no orçamento da educação feito pelo presidente Jair Bolsonaro, que tenta a todo custo cumprir a meta estabelecida pela Lei de Responsabilidade Fiscal, foi a senha para os grupos organizados descontentes com o novo governo iniciar o processo de desgaste e desqualificação da política educacional do país. Já no segundo ministro da educação em cinco meses, o novo governo de fato não acertou o passo na administração do setor, mas com apenas três meses do ano letivo em curso não se pode fazer julgamentos precipitados com base apenas no ruído dos grupos de oposição.

Se a questão é de fato a redução de investimentos, a pergunta que não cala é justamente o silêncio estarrecedor que se verificou diante dos cortes anunciados e levados a efeito durante os governos Lula e Dilma, indicando nítido alinhamento político de alguns setores da educação com a política educacional e também financeira nos mandatos anteriores. Quando um setor, como a educação, que deve ser considerada uma política de Estado e não de Governo, começa a sofrer interferência política exagerada, tanto os dirigentes do ensino, os operadores da educação e principalmente os alunos é que são os prejudicados.

Partindo do raciocínio mais lógico, o da comparação de investimentos no setor, é bom lembrar e frisar que o Brasil está entre os países com excelente orçamento na educação, com pouco mais de 6% do PIB, equivalente aos membros da OCDE e também de nações muito mais desenvolvidas. Como acontece em praticamente todos os setores da administração pública, o entrave principal não é o volume de recursos disponibilizados, mas sim a forma como são utilizados.

A enorme concentração dos investimentos no ensino superior, a maior parte em universidades públicas que atendem justamente as parcelas mais privilegiadas da população, que pouco produzem como resultado de pesquisa científica e publicações de fato reconhecidas, mostra que de fato é preciso rever muitos conceitos administrativos e políticos. Afinal, enquanto os ciclos iniciais e médios não conseguem sequer alfabetizar corretamente os alunos e as universidades entregam para o mercado pessoas despreparadas para disputar o mercado de trabalho, a discussão não deve se concentrar em recursos financeiros, mas sim em qualificação de professores e mais atenção aos resultados. O conceito da meritocracia ainda é o que mais combina com democracia.

Compartilhe

Este post tem 2 comentários

  1. Guilherme

    Como vamos exigir meritocracia com uma desigualdade social tão grande em nosso país?

  2. Claudio Pissolito

    De fato, a exigência da meritocracia esbarra na desigualdade e no despreparo das pessoas, mas o contrário da ascensão por mérito é o arranjo, o paternalismo e o apaniguamento, que são injustos com aqueles que mais se esforçam.

Deixe uma resposta