“Deus”, o maior traficante de Palmital, tinha sensação de impunidade e faturava R$ 40 mil mensais

O chefe da organização criminosa preso nesta quarta-feira (02/09), segundo a Polícia Civil, vinha sendo investigado desde 2022 por seu envolvimento com o tráfico de drogas em Palmital. Pela importância que conquistou no esquema, ele passou a adotar o codinome “Deus”. “Essa denominação evidencia a sensação de poder e impunidade com que atuava, demonstrando aparente desprezo pelas consequências de suas ações e pela atuação dos órgãos de persecução penal”, destacou o delegado Marcelo de Souza, responsável pela investigação.

De acordo com o delegado, que comandou a Operação “Fim da Linha”, “Deus” mantinha o maior esquema de tráfico de drogas de Palmital, onde tinha seu principal mercado consumidor, mas também abastecia pontos de venda em cidades próximas. Marcelo de Souza acrescentou que, conforme caderno de contabilidade, o chefe lucrava aproximadamente R$ 40 mil mensais. Contudo, não foi possível apurar o volume de drogas movimentado pela quadrilha, pois o principal acusado apenas coordenava a logística e não armazenava as substâncias ilegais.

“Deus” foi preso junto com outros seis comparsas na Operação “Fim da Linha”, deflagrada na manhã desta quarta-feira (02/09), como parte da investigação de um esquema criminoso organizado e estruturado voltado ao tráfico de drogas, responsável pelo abastecimento e comercialização de entorpecentes no município e região. No decorrer das diligências, os investigadores identificaram e individualizaram as funções de diversos integrantes.

Durante a apuração, a Polícia Civil conseguiu identificar os responsáveis pela venda e transporte das drogas, os encarregados do armazenamento e fracionamento dos entorpecentes em imóveis utilizados como “casas-bomba”, além de “laranjas” usados para movimentar valores provenientes da atividade criminosa. Os elementos reunidos evidenciaram uma estrutura com divisão de tarefas e logística própria para armazenamento, transporte, distribuição e comercialização dos entorpecentes.

Segundo o delegado, além das evidências apuradas durante a investigação e da identificação das funções de cada integrante da organização criminosa, conversas em aplicativos de mensagens mostraram diálogos entre “Deus” e outros participantes do esquema, comprovando a negociação dos entorpecentes. Marcelo de Souza afirmou que as drogas eram provenientes de uma fazenda no Mato Grosso do Sul, na divisa com o Paraguai, inclusive com vídeos que comprovam a negociação e a origem do entorpecente.

Diante da grande quantidade de provas e da identificação da autoria, além da necessidade de aprofundamento das investigações, a Polícia Civil representou pela decretação da prisão temporária dos investigados e pela expedição de mandados de busca domiciliar. As ordens foram expedidas pela Vara Regional das Garantias da 5ª Região Administrativa Judiciária, possibilitando a organização da operação realizada na quarta-feira.

Para o cumprimento das medidas judiciais, foram mobilizados 41 policiais civis, distribuídos em 11 equipes que incluíram o efetivo da Delegacia de Palmital e do Grupo de Operações Especiais (GOE) das Delegacias Seccionais de Assis, Adamantina, Dracena, Presidente Prudente, Presidente Venceslau e da DEIC de Presidente Prudente, todas do Deinter-8. A mobilização e articulação do trabalho possibilitaram que as ordens judiciais fossem cumpridas simultaneamente na área urbana e rural de Palmital.

Durante a operação, foram cumpridas ordens judiciais contra seis acusados de participar do esquema criminoso, sendo dois alvos considerados foragidos por não terem sido localizados. Houve ainda um preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, pois estava com uma espingarda calibre 22 e diversas munições. As equipes também realizaram buscas em 16 endereços ligados à quadrilha, onde foram apreendidos aparelhos celulares, dinheiro, balanças de precisão e uma porção de maconha.

Os presos durante a Operação “Fim da Linha”, com idades entre 18 e 37 anos, foram levados para a Delegacia da Polícia Civil, onde houve o registro das capturas e da apreensão dos materiais resultantes das buscas. Todos devem permanecer presos temporariamente por um período de 30 dias, que pode ser renovado por igual período, para possibilitar a conclusão dos trabalhos de investigação antes do encaminhamento do relatório ao Judiciário, permitindo que respondam judicialmente pelos crimes de tráfico e associação criminosa.

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