Dia do Trabalhador Doméstico é comemorado nesta quarta-feira (22/07)
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Nesta quarta-feira (22/07) se comemora o Dia do Trabalhador Doméstico. A data foi instituída internacionalmente em 1921, mas não se configura como feriado no Brasil.

 

Conforme se conta, a data surgiu quando o empregado norte-americano Joe Paul Simenn, que trabalhava em uma mansão na Califórnia, disse aos patrões que precisava de folga por se tratar do Dia do Serviçal. Ele teria feito isso porque queria visitar uma filha que estava muito doente e não tinha conseguido a dispensa do trabalho.

 

A partir daí, 22 de julho tornou-se um dia simbólico para lembrar a luta por condições de trabalho mais justas. O serviço doméstico é realizado por milhões de brasileiros, a maioria esmagadora mulheres e chefes de família.

 

De acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada em 30 de janeiro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica), o número de trabalhadores domésticos chegou a 6,356 milhões em 2019.

 

A série de dados começou a ser feita em 2012 pelo Instituto e esse foi um número recorde desde então, tendo em vista o elevado índice de desemprego brasileiro. Para fugir dele, muitos acabam optando por procurar trabalho como empregados domésticos, mesmo que a grande maioria – 4,598 milhões – permaneça na informalidade.

 

Em novembro de 2019, quando foi feito o levantamento, apenas 1,757 milhão de domésticos trabalhava com carteira assinada.

 

DIFICULDADES NA PANDEMIA

A diarista Girlane Nogueira Passos, 60 anos, viu sua renda despencar com a pandemia de Covid-19. Após quase 30 anos de profissão e sem carteira assinada, a moradora de Florianópolis ficou somente com um, dos três clientes que atendia, uma vez na semana. “A rotina mudou muito. Mesmo não me considerando do grupo de risco, pois não tenho doenças e não tomo remédios para nada, preciso me cuidar”, afirma.

 

 

Girlane mora com dois filhos, a nora e uma neta. Ela conta que não pegou outros trabalhos, mas conseguiu o auxílio emergencial de R$ 600. O benefício concedido pelo governo federal foi criado para diminuir os impactos da pandemia de coronavírus na população de baixa renda.

 

“Além do auxílio, os filhos continuam trabalhando para ajudar. Não há muito o que fazer, todos têm que se cuidar e ter fé que aos poucos, muito devagar, a vida vai voltar ao normal”, diz.

 

Ela é apenas uma de muitos trabalhadores domésticos que se dedicam a tornar a vida de outras famílias mais fáceis, absorvendo o “peso” de ter que lidar com a exaustiva rotina da casa, diariamente.

 

EMPATIA NA CRISE

No caso de Patrícia de Lima, empregada doméstica de 37 anos, residente em São José, o começo da pandemia foi duro. “Trabalhava todos os dias, de segunda a sábado, e fiquei só com duas clientes”, conta Patrícia.

 

Com o marido desempregado e três filhos, de 19, 17 e dois anos de idade, ela contou com a ajuda dos próprios clientes para se manter. “Os que dispensaram o serviço me ajudaram com cesta básica ou o valor das diárias, assim consegui garantir o pagamento do aluguel, gás, água e comida”, afirma.

 

Com a flexibilização das medidas de isolamento, em junho, Patrícia começou a voltar à plena atividade. “Vários clientes me indicaram para parentes e amigos, para que eu não ficasse sem trabalhar. Assim, consegui retomar os seis dias por semana, enquanto meu marido cuida do bebê, já que as creches estão fechadas”, afirma.

 

Há sete anos e meio nessa profissão, Patrícia não tem carteira assinada e não conseguiu obter o auxílio emergencial. Consequentemente, o apoio da clientela foi fundamental. “Continue com a doméstica, não dispense agora porque esse momento é importante”, diz.

 

O retorno gradual ao trabalho foi feito com todos os cuidados, usando máscaras e se comunicando sobre possíveis sintomas antes de visitar os clientes. “Se eu ou eles tivermos sintomas, a gente avisa. É um cuidado mútuo para ninguém se contaminar”, explica.

 

ORDEM NO CAOS

Se por um lado, os trabalhadores domésticos enfrentam dificuldades para se manter com a queda na renda, as famílias que ficaram sem o serviço tiveram que rever suas rotinas. Além do home office, em muitos casos foi necessário incluir os cuidados com a casa, a comida e os filhos, em tempo integral.

 

Para dar conta de limpar, cozinhar, lavar, passar e ainda trabalhar em casa, o casal Adriana e Marco Aurélio da Silva, residentes no município de Tijucas, teve que se reorganizar. Por quase dois meses, eles dispensaram a faxineira que vinha toda semana. “Foi uma economia de R$ 600 mensais, mas em compensação teve dias que virou um caos”, conta Adriana.

 

O casal passou a fazer quase tudo. “Limpamos a casa, calçadas, banheiros, quintal. As janelas ficavam para o fim de semana, mas aí já estávamos cansados e acabamos deixando para lá”, diz ela.

 

A solução foi dividir as tarefas: enquanto ele ficava encarregado de tirar o lixo, cuidar dos cachorros e do quintal e ir ao mercado, ela cuidava das roupas e do almoço. A limpeza da casa foi dividida. “Mas não dá para limpar tudo de uma vez, senão ficamos o dia todo limpando”, afirma.

 

Enquanto ela manteve a jornada de 8 horas diárias de trabalho em casa, o marido teve redução para 6 horas, mas com dificuldade de atender todas as demandas. “Tem que ter muita disciplina para parar de trabalhar, porque tem demanda o tempo todo”, afirma o analista de planejamento.

 

Agora, a diarista voltou, com os cuidados para evitar a contaminação. “Ela usa máscara o tempo todo e quando limpa algum cômodo em que estamos, a gente sai para manter o distanciamento”, conta Adriana.

 

Mas eles continuam com a demanda de alimentação. “Optamos por comprar marmitas pelo menos uma vez na semana, assim a faxineira também não precisa cozinhar e pode se concentrar na faxina”, explica.

 

DICAS DE OURO

Para cuidar da casa de forma mais organizada nesse período, as trabalhadoras domésticas dão algumas dicas para quem dispensou o serviço de limpeza:

 

– faça um serviço por dia: em um dia lave as roupas; no outro, limpe o banheiro; e assim por diante. Isso evita o acúmulo de tarefas por fazer;

– comida congelada: quem não souber cozinhar pode comprar congelados, que podem ir direto no microondas. “Tem muita gente vendendo comida boa e saudável e você pode acabar ajudando essas pessoas”, diz Girlane;

– faça o básico: varrer, passar pano no chão e tirar a poeira dos móveis;

– cozinhe em maior quantidade, suficiente para almoço e jantar (ou congele para outra refeição);

– divida as tarefas entre os moradores para não sobrecarregar ninguém;

– envolva as crianças nas atividades: mesmo que sejam pequenas, elas podem ajudar tirando o lixo, regando as plantas, colocando água e comida para os animais de estimação ou auxiliando a arrumar a cama.

Fonte: Notícias de Santa Catarina

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