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Todas as coisas, dentro de sua especificidade, têm como princípio fundamental de funcionamento uma determinada ordem, configurada em termos de leis, normas, regras, condutas ou um conjunto de procedimentos.           

Quando falo de funcionamento, não estou me referindo à parte mecânica, exterior, visível e palpável das coisas. Refiro-me à dinâmica, ao movimento, à essência, ao ser delas. Trata-se daquilo que dá sustentação, autonomia e identidade a tudo o que existe neste mundo, mesmo os seres inanimados. Isso sim é o que interessa e é exatamente isso o que, geralmente, nos escapa na avaliação e consideração da vida que pulsa nesse imenso universo.

Não há nada, nesse mundo, que subsista sem uma determinada ordem porque, isso é algo vital e imprescindível; é a sua condição ‘sine qua non’.

Pense em qualquer coisa sem uma ordem! Lembra anarquia, não é?

No caso do ser humano, esta ordem refere-se às dimensões que sustentam uma visão integral da pessoa: física, espiritual, psicológica, afetiva, sexual, ética, estética, social… Sem levar em conta todas essas dimensões, o ser humano não é pessoa!

O homem não é uma máquina, estruturada pela rigidez legalista. O homem é um ser cuja plasticidade lhe possibilita viver adaptado qualquer meio, situação ou relação.

Mas, não basta uma ordem inerente à natureza humana, sinalizando a riqueza de um ser estruturado de maneira integral. Esta ordem deve aparecer na existência como uma força, realmente, de vida.

Levando-se em consideração que é o próprio homem quem, por sua prática, realiza o equilíbrio das dimensões que o estruturam, esta ordem só permanece em funcionamento se for mantida pela disciplina. A disciplina corresponde ao ritmo de vida cadenciado por sonhos, verdades, ideais, escolhas, decisões, opções e compromissos diários, intransferíveis e inadiáveis de cada um.

Ninguém poderá viver a vida pelos outros. Nada que lhe corresponde como responsabilidade pode ser entregue a outro. Quando falta disciplina a vida não acontece porque não cresce, não se desenvolve, não amadurece, não flui.

O grande mal que pesa contra a disciplina é a perda do senso de liberdade e responsabilidade. A ideia do ‘tudo pode, deixa fazer, deixa passar’ tem deixado as pessoas sem medidas e nem limites. E com isso adotam práticas e estilos de vida completamente desfigurados, inconsequentes, irracionais e, pior ainda, inumanos.

A disciplina exige uma boa dose de amor à vida, de liberdade e humanidade.

A vida não progride nas mãos de quem deixa tudo acontecer pela sorte, pelo acaso ou pelo destino. Vida sem disciplina é como um corpo sem funções cerebrais: parece que está vivo, mas não está!

“O temor de Javé é o princípio do saber, porém os idiotas desprezam a sabedoria e a disciplina.

Meu filho, escute a disciplina de seu pai, e não despreze o ensinamento de sua mãe, porque serão para você uma coroa formosa na cabeça e um colar no pescoço.

Meu filho, se os pecadores quiserem enganar você, não se deixe arrastar. Eles costumam dizer: ‘Venha conosco, vamos fazer emboscadas para matar, vamos cercar impunemente o inocente; nós os engoliremos vivos como faz a morte, inteiros, como aqueles que baixam à cova. Conseguiremos todo tipo de riquezas e encheremos nossa casa com as coisas roubadas. Participe do nosso grupo e faremos uma caixa comum’.

Meu filho, não ande com gente desse tipo, nem ponha os pés no caminho deles, porque os pés deles correm para o mal, e eles se apressam para derramar sangue. Não adianta armar o alçapão, quando o passarinho está olhando. No fundo, suas armadilhas serão mortais para eles próprios que estão atentando contra si mesmos. Tal é o destino do ganancioso: a cobiça acaba com o cobiçoso” (Pr 1,7-19).

Disciplina é tudo na vida porque, disciplina é Liberdade!

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