Após dois dias inteiros de julgamento e cerca de 23 horas de sessão, o Tribunal do Júri de Assis condenou, na noite de quinta-feira (18/06), Murilo Almeida Machado e João Pedro Mascareli Pádua pela morte da psicóloga Maria Flávia Camoleze Augusto, de 26 anos, encerrando um dos casos criminais de maior repercussão da história recente do município.
A sentença foi proferida pelo juiz Bruno César Giovanini Garcia, após a decisão dos sete jurados que compuseram o Conselho de Sentença. Murilo foi condenado a mais de nove anos de prisão, enquanto João Pedro recebeu pena superior a seis anos de reclusão. As penas deverão ser cumpridas inicialmente em regime fechado.
O julgamento teve início às 9h da manhã de quarta-feira (17/06) e foi suspenso por volta das 20h, após um extenso primeiro dia de trabalhos. A sessão foi retomada às 9h de quinta-feira (18/06) e se estendeu até o período noturno, quando foi anunciada a decisão dos jurados.
A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Fernando Fernandes Fraga. Atuaram como assistentes de acusação os advogados José Augusto, pai de Maria Flávia, e Paula Camoleze Augusto, irmã da vítima, ambos profissionais do Direito e presentes em todas as etapas do processo.
A defesa de Murilo Almeida Machado foi realizada pelos advogados Alexandre Valverde e Marina Giraldelli. Já a defesa de João Pedro Mascareli Pádua ficou a cargo dos advogados Giselle Anne Netto de Carvalho Sanchez e Cláudio José Palma Sanchez.
Após a leitura da sentença, foram cumpridos os procedimentos legais decorrentes da condenação. Encerrados os atos processuais em plenário, os dois condenados foram colocados sob custódia das autoridades responsáveis pela escolta para os encaminhamentos previstos pela Justiça.
Durante seu interrogatório, Murilo Almeida Machado, condutor do Volkswagen Gol em que estava Maria Flávia, admitiu que trafegava em alta velocidade na madrugada do acidente e confirmou ter consumido bebida alcoólica nos estabelecimentos por onde passou naquela noite. Apesar disso, negou a existência de um racha.
João Pedro Mascareli Pádua, motorista do Hyundai HB20, também negou ter participado de uma disputa automobilística. Em seu depoimento, afirmou que não conhecia Murilo e contestou a acusação de que os dois veículos estariam envolvidos em uma corrida pelas ruas da cidade.
O caso
Maria Flávia Camoleze Augusto morreu após o Volkswagen Gol em que estava colidir violentamente contra a parede de um edifício localizado em frente à Praça Arlindo Luz, na Avenida Rui Barbosa, em Assis.
Segundo a tese sustentada pelo Ministério Público e acolhida pelos jurados, os dois acusados participavam de uma disputa automobilística momentos antes do acidente. A acusação apontou que a conduta dos réus contribuiu diretamente para a sequência de fatos que culminou na morte da jovem.
O caso gerou forte comoção em Assis e passou a ser acompanhado de perto pela população desde o acidente ocorrido em maio de 2021. Mais de quatro anos depois da tragédia, o Tribunal do Júri deu sua resposta definitiva em primeira instância, encerrando um julgamento histórico para a cidade e um dos mais longos realizados nos últimos anos na Comarca de Assis.
Fonte: Abordagem Notícias












