Duas semanas após operação, padre Robson volta a dizer que dinheiro doado por fiéis era usado na ‘divulgação do Evangelho’
Padre Robson foi alvo de operação do MP na Afipe — Foto: Afipe/Divulgação
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Alvo de ação do MP, presidente afastado da Afipe e da reitoria da Basílica de Trindade diz que está ‘tranquilo’ e que é o ‘maior interessado na transparência e na verdade’. Investigação mira desvios de R$ 120 milhões

Passadas exatas duas semanas da deflagração da Operação Vendilhões, que apura desvios na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), padre Robson, fundador e presidente afastado da entidade e reitor do Santuário Basílica de Trindade, voltou a negar qualquer irregularidade em sua administração.

Por meio de sua assessoria, o sacerdote disse, nesta sexta-feira (4), que está “tranquilo” e reafirmou que as doações em dinheiro feitas pelos fiéis foram usadas “na divulgação do Evangelho e da mensagem do Pai Eterno”.

Ele foi alvo da ação deflagrada pelo Ministério Público no dia 21 de agosto, quando 16 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. A investigação aponta desvios de doações na ordem de R$ 120 milhões.

Um dia depois, o padre divulgou um vídeo anunciando seu afastamento da direção da Afipe, no qual também destacou que o montante recebido pelo órgão era usado em ações religiosas (veja abaixo).

Na nota enviada ao G1 (leia a íntegra abaixo), o padre salienta que “confia na Justiça” e que não foi chamado para dar explicações ao MP, com o qual “insiste e aguarda para ser ouvido”.

O comunicado destaca ainda que o pároco é o “maior interessado na transparência e na verdade” e que “não tem dúvidas” sobre o esclarecimento dos fatos.

Nota do padre Robson:

“O padre Robson está tranquilo, pois acredita e confia na Justiça. Ele se dedica ao esclarecimento de todas as suposições levantadas pelo Ministério Público, com o qual insiste e aguarda para ser ouvido, o que não aconteceu ainda nem sequer foi agendado. Maior interessado na transparência e na verdade, padre Robson não tem dúvidas de que tudo se esclarecerá no curso das investigações: propriedades pertencem à Afipe, que sempre as declarou aos órgãos fiscais e autoridades competentes, e toda a renda da associação, proveniente das doações dos fiéis, foi usada na divulgação do Evangelho e da mensagem do Pai Eterno”.

Fazendas e casa na praia

Embora o padre negue as acusações, o MP constatou que boa parte do dinheiro da Afipe era investido em outras frentes desconectadas da religião, como a aquisição de imóveis, incluindo um casa de praia no valor de R$ 3 milhões, em Guarajuba (BA).

Outra destinação dos recurso foi a aquisição, conforme o MP, de mais de 50 fazendas. Uma delas, localizada em Caiapônia, no sudoeste de Goiás, é avaliada em mais de R$ 90 milhões.

Como presidente da Afipe, cabia ao padre administrar um orçamento mensal aproximado de R$ 20 milhões. A investigação apontou que, nos últimos nove anos, a entidade movimentou R$ 2,2 bilhões.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Casa de praia vendida para a Afipe custou R$ 3 milhões — Foto: Reprodução/Fantástico

Casa de praia vendida para a Afipe custou R$ 3 milhões — Foto: Reprodução/Fantástico

Investigação

  • O MP começou a apurar suspeitas de irregularidades nas contas da Afipe após o padre Robson ser vítima de extorsão e ter pago os criminosos que ameaçavam divulgar um suposto caso amoroso dele com R$ 2 milhões retirados dos cofres da Associação, que é mantida com dinheiro de doações de fiéis do Brasil inteiro;
  • Os promotores apuraram que a alguns pagamentos aos autores das extorsões foram feitos em espécie, envolvendo funcionários da Afipe, algumas vezes sem o conhecimento da Polícia Civil, que já estava investigando as ameaças;
  • Os saques de valores altos e com frequência chamaram a atenção dos investigadores, assim como o grande número de bens de luxo no nome da Associação, cujo objetivo é promover a evangelização e não teria fins lucrativos;
  • Também de acordo com as apurações do MP, várias negociações de imóveis deixavam a Afipe no prejuízo;
  • A Operação Vendilhões foi deflagrada no último dia 21 de agosto e cumpriu mandados de busca e apreensão em vários endereços da Afipe e de pessoas ligadas à Associação;
  • O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) segue investigando o material colhido e deve ouvir as pessoas envolvidas para esclarecer se o dinheiro de fiéis estava sendo desviado da Afipe ou não.
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