De todos os defeitos, quem sabe, o que tem maior peso é a ingratidão. De todas as dores, quem sabe, a que mais dói é a dor da ingratidão.

Não é difícil identificar a ingratidão e o ingrato!

Vejamos o que dizem sobre ela: “Existe três cachorros perigosos: a ingratidão, a soberba e a inveja. Quando mordem deixam uma ferida profunda” (Lutero). “Existem três classes de ingratos: os que silenciam diante do favor; os que o cobram e os que se vingam” (Ramón y Cajal). “A ingratidão consiste em esquecer, desconhecer ou reconhecer mal os benefícios, e se origina da insensibilidade, do orgulho ou do interesse” (Charles Pinot Duclos). “Ingratidão é uma forma de fraqueza. Jamais conheci homem de valor que fosse ingrato” (Johann Goethe). “A misericórdia de Deus será, sempre, maior que a tua ingratidão” (Pe. Pio de Pietrelcina).

A Ingratidão é, portanto, a perda de referência do Bem em nós e constitui doença da alma que poucos de nós pode considerar-se imune. Por isso, o ingrato não reconhece os benefícios ou favores que recebeu; é mal-agradecido; não corresponde aos esforços alheios; não é capaz de multiplicar o bem que lhe acompanha; é infecundo, estéril e improdutivo

A ingratidão é desvio inegável do comportamento humano; isso é fato! Mas, o que é próprio do ser humano é a gratidão. Nada agrada mais Deus do que a gratidão! Porque, em Deus, tudo é Graça! E somos participantes do Ser de Deus que nos fez à sua imagem e semelhança.

A gratidão é um dom que nos permite ver e reconhecer os benefícios a nós concedidos e aqueles que no-los concedeu. E, por causa disso, nos leva a agradecer; a ser gratos.

A gratidão não é uma variante da subserviência, da dependência ou do aprisionamento do beneficiado ao seu benfeitor. A gratidão é, antes de tudo, a atitude de reconhecimento do bem (seja ele de onde ele vier) que nos transporta para o Bem Maior (Deus), levando-nos a ser bons no Bem. Assim, já não somos mais movidos, apenas, pelo benefício circunstancial, recebido de alguém, numa relação de troca. Pelo contrário, seremos movidos pelo Bem que permanece em nós, mesmo diante de múltiplas ingratidões, frustrações e decepções. Gratidão não é uma mera relação de troca; não é retribuição; não é devolução. Gratidão é reconhecimento do Bem em nós!

“Caminhando para Jerusalém, aconteceu que Jesus passava entre a Samaria e a Galiléia. Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos foram ao encontro dele. Pararam de longe, e gritaram: ‘Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!’ Ao vê-los, Jesus disse: ‘Vão apresentar-se aos sacerdotes.’ Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. Ao perceber que estava curado, um deles voltou atrás dando glória a Deus em alta voz. Jogou-se no chão, aos pés de Jesus, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. Então Jesus lhe perguntou: ‘Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?’  E disse a ele: ‘Levante-se e vá. Sua fé o salvou’.” (Lc 17,11-19).

É nosso dever e salvação darmos graças a Deus, como o samaritano que foi curado da lepra. Ele, percebendo que estava curado, voltou atrás, dando glória a Deus, em alta voz porque reconheceu a origem e a fonte da graça. Só um voltou para agradecer porque são poucos os que conseguem perceber o Bem nos benefícios. A cura é insuficiente para quem não enxerga a graça. Quantas curas serão necessárias para enxergarmos a graça da salvação?

Para não sermos ingratos como os nove, citados no Evangelho é preciso fazer o que Paulo testemunha a Timóteo: “Lembre-se de que Jesus Cristo, descendente de Davi, ressuscitou dos mortos. Esse é o meu Evangelho, e por causa do qual eu sofro, a ponto de estar acorrentado como um malfeitor. Mas a palavra de Deus não está algemada. É por isso que tudo suporto por causa dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Jesus Cristo, com a glória eterna. Estas palavras são certas: Se com ele morremos, com ele viveremos; se com ele sofremos, com ele reinaremos. Se nós o renegamos, também ele nos renegará. Se lhe formos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode renegar a si mesmo” (2Tm 2,8-13).

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