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As eleições gerais do último domingo ficarão marcadas na história como um movimento intenso de mudanças exigidas e concretizadas pelos eleitores nas urnas. Desde a redemocratização do país, cuja primeira eleição em
1989 manteve famílias tradicionais e várias oligarquias no comando de muitas cidades, de alguns estados e também nos legislativos estaduais e federal, nunca houve tanta renovação nos quadros como agora se verifica. Empunhando a bandeira da ética, do combate à corrupção e à criminalidade, o deputado federal Jair Bolsonaro, até então de pouca expressão, quase foi eleito em primeiro turno. 

Com quase 50 milhões de votos, Bolsonaro superou de longe políticos tradicionais como Ciro Gomes, cuja família domina o Ceará a décadas, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de quatro mandatos consecutivos, além do banqueiro e ex-ministro milionário Henrique Meirelles e a ativista ambiental e ex-ministra e ex-senadora Marina Silva. Entretanto, o grande embate se deu contra o PT, que venceu as últimas quatro eleições presidenciais e, mesmo envolvido em escândalos de corrupção e com várias  de suas lideranças processadas ou presas, mantém domínio sobre grande parte do eleitorado, principalmente os menos letrados e os mais pobres.

 

Junto à avalanche de votos que superou o candidato Fernando Haddad, que se sustenta como uma espécie de preposto de Lula, a principal liderança do PT, que se encontra preso devido a condenação por crime de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, Bolsonaro conseguiu levar nomes novos aos governos e,  principalmente, ao legislativo, com a maior renovação no Senado e na Câmara Federal nas últimas décadas.
Sem recursos financeiros, sem tempo de rádio e TV e com a oposição de grande parte da mídia, o deputado-capitão se transformou em fenômeno eleitoral.

A possível eleição de Bolsonaro representa a continuação da ruptura política e institucional que se verificou a
partir de 2013, quando milhares de brasileiros foram às ruas protestar contra os desmandos, a corrupção e a parcimônia do judiciário condescendente com os poderosos. O deputado foi o único candidato que de fato interpreta e representa o sentimento da maioria dos eleitores e, mesmo com discurso forte, próximo da agressividade, e sofrendo todo tipo de preconceito e ataques, incluindo uma facada quase mortal em plena via
pública durante ato de campanha, chega como franco favorito para disputar o segundo turno.

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