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“…a sabedoria ensina que só depende de cada um cultivar a bondade ou a maldade…”

 

A caminhada em direção à morte se inicia no dia do nascimento, ou da concepção, mas o ser humano não compreende e muito menos aceita essa regra pétrea imposta pela natureza. Nesse curto período entre o nascimento e a morte, cada indivíduo tem inúmeras oportunidades de escrever sua história com sabedoria por meio do aprendizado que traz a evolução e das atitudes e decisões que determinam a qualidade da vida usufruída e compartilhada com quem se convive. Cada pensamento, atitude e gesto, de grandeza ou mesquinharia, revelam a índole e o caráter individual.

Como ninguém nasce refém da ignorância, da arrogância, dos desvios de caráter e muito menos da vaidade, da ira, da maldade, da soberba, da ganância, da inveja e do orgulho, ou de outros pecados capitais que se comete pela ânsia de se sentir ou parecer superior aos demais, basta que cada qual cultive os melhores dons que habitam a essência da própria natureza. A fábula “Dois Lobos” define com bastante propriedade as motivações do nosso comportamento, a maneira como somos, agimos e reagimos no cotidiano.

Enfatizando a dualidade do ser humano, a sabedoria ensina que só depende de cada um cultivar a bondade ou a maldade ou tornar-se pessoa melhor ou pior diante dos dois Lobos que habitam e duelam no interior de cada pessoa. Consultado por um jovem sobre o que fazer com o ódio que sentia diante da injustiça que acabara de sofrer, o sábio revelou que também lutava contra esses sentimentos negativos, ponderando, entretanto, que a ira corrói quem a sente e nunca fere o alvo, pois se trata de tomar veneno para fazer o outro morrer. O sábio confessou que dentro dele havia dois Lobos, um bom e outro mal. O primeiro vivia em harmonia com todos e não se ofendia, enquanto o outro era cheio de raiva que o fazia brigar o tempo todo, mas que o Lobo vencedor seria sempre o mais alimentado.

Na segunda-feira, os familiares e os muitos amigos do advogado e professor Edson Ramires cumpriram o triste ritual da despedida precoce de um ser humano bondoso, sensato, equilibrado, respeitoso e companheiro, quase todos sem entender ou aceitar a efemeridade da vida de uma pessoa iluminada. Edinho foi exemplo de quem sempre alimentou o Lobo do bem que vivia e pregava a harmonia e só lutava quando de fato era preciso, sempre de maneira reta. Ainda que sua passagem tenha sido breve, ele deixou a melhor herança e as melhores lembranças que se pode oferecer aos que ficam: os princípios e os valores da bondade e da concórdia.

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