A Justiça do Trabalho de Bauru (SP) condenou um empresário por tráfico internacional de pessoas e submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão em uma fábrica clandestina de cigarros em Ourinhos (SP).
A sentença, proferida na sexta-feira (22/05), atende aos pedidos do Ministério Público do Trabalho (MPT) após o resgate de 14 trabalhadores paraguaios, em julho de 2025, durante a Operação Chrysós. A decisão cabe recurso ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15).
O réu foi declarado revel e confesso por não apresentar defesa nem comparecer à audiência. Ele deverá pagar indenização por dano moral coletivo de R$ 2 milhões, com caráter pedagógico e punitivo.
Além disso, o empresário está proibido de aliciar, transportar ou submeter qualquer pessoa a condições de trabalho degradantes, sob pena de multa de R$ 500 mil por obrigação descumprida, acrescida de R$ 100 mil para cada trabalhador prejudicado.
Relembre o caso
A Operação Chrysós foi deflagrada em julho de 2025 pela Polícia Federal, em conjunto com o MPT e o Ministério do Trabalho, nos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Os 14 trabalhadores paraguaios eram aliciados no Paraguai com promessas de emprego de 30 a 45 dias, com salários entre R$ 4 mil e R$ 5 mil. Eles entravam no Brasil pela fronteira de Guaíra, no Paraná, e eram levados até a fábrica em Ourinhos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/Q/I/OrViMuSd2rygDyAAKegg/imagem-do-whatsapp-de-2025-07-15-a-s-08.16.25-b570ef27.jpg)
A fábrica clandestina teria capacidade para produzir cerca de 60 mil maços de cigarros por dia, segundo a PF — Foto: Polícia Federal
No local, eram submetidos a jornadas de até 14 horas diárias, sem descanso semanal e sem equipamentos de proteção. Os celulares eram confiscados na chegada, e o contato com familiares era permitido apenas a cada 15 dias, por meio de um único aparelho.
Os trabalhadores viviam em alojamentos insalubres, com umidade, acúmulo de lixo e forte odor de tabaco, no mesmo galpão onde as máquinas operavam 24 horas por dia.
Segundo a investigação, o condenado atuava na logística de abastecimento da fábrica e usava pseudônimos em aplicativos de mensagens para coordenar a produção e evitar ser descoberto pelas autoridades.
Fonte: g1
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/7/J/BjWXDcSgqQon0rAe9wGw/6.png)
Trabalhadores eram mantidos em condições degradantes, segundo MPT — Foto: Ministério Público do Trabalho











