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Alimentar-se é uma necessidade básica de todo ser vivo e, isso, é ponto pacífico! Não é ponto pacífico, porém, a relação com o alimento; principalmente entre os seres humanos. Dizer ao estômago que aceite outra coisa como alimento que não seja comida, é perturbação ou loucura. A linguagem-alimento, para o estômago, é comida e não tem conversa. O estômago ‘reclama’ o alimento necessário, ainda que o tentemos ‘enganar’, comendo ‘besteira’. Aliás, o corpo todo sente o peso das atitudes desmedidas de quem, sempre, procura comer para enganar a fome. O corpo tem uma ‘inteligência’ fisiológica e põe o organismo todo em demanda contra qualquer agressão às suas necessidades básicas.

Ora, se o corpo tem uma ‘inteligência’ fisiológica, nossa alma, também, deve ter uma ‘inteligência’ espiritual, capaz de ouvir, sem se escandalizar, Jesus dizendo: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35).

A inteligência da alma é a fé. Mas, se a alma estiver ‘cheia’ de ilusões, apegos, interesses, imediatismos, vaidades… é bem provável que não vai entender e não vai aceitar o Pão da Vida; antes, vai desvirtuar o sentido do alimento: “Eu garanto a vocês: vocês estão me procurando, não porque viram os sinais, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos” (Jo 6,26). Atitudes como essas não são de fé e merecem repreensões: “Não trabalhem pelo alimento que se estraga; trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna. É este alimento que o Filho do Homem dará a vocês, porque foi ele quem Deus Pai marcou com seu selo” (Jo 6,27).

Quando, pela fé, descobrimos o sentido do pão, não será difícil entender a obra de Deus em nossas vidas. “Então eles perguntaram: ‘O que é que devemos fazer para realizar as obras de Deus?’ Jesus respondeu: ‘A obra de Deus é que vocês acreditem naquele que ele enviou.’ Eles perguntaram: ‘Que sinal realizas para que possamos ver e acreditar em ti? Qual é a tua obra? Nossos pais comeram o maná no deserto, como diz a Escritura: Ele deu-lhes um pão que veio do céu’. Jesus respondeu: ‘Eu garanto a vocês: Moisés não deu para vocês o pão que veio do céu. É o meu Pai quem dá para vocês o verdadeiro pão que vem do céu, porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.’ Então eles  pediram: ‘Senhor, dá-nos sempre desse pão’.” (Jo 6,28-34)

Você tem fome de que? Você tem sede de que? Que pão você, hoje, pediria a Deus?

Na sua lista de pedidos, a Deus, não se esqueça de pedir o pão da fé porque: “o justo vive pela fé” (Hb 11,2-12.32-39). Não deixe de pedir o pão da palavra, porque, o homem não vive somente de pão… (Dt 8,1-18). Peça o pão da oração porque, “a oração do justo, feita com insistência, tem muita força” (Tg 5,13-18). Insista em receber o pão da partilha porque: não faltará nem farinha e nem óleo, até que Deus mande a chuva! (1Rs 17,7-16). Suplique que, não lhe falte, o pão da esperança, porque a esperança é como âncora para a nossa vida (Hb 6,10-20).

Implore, ao Senhor, o pão do amor, o pão da liberdade, o pão da libertação, o pão da alegria, o pão da solidariedade, o pão da eternidade, o pão da compaixão, o pão da misericórdia, o pão do perdão…

Passa fome quem quer porque, tanto para o corpo, como para a alma não falta alimento; é só uma questão de reconhecer a fome e buscar o verdadeiro alimento.

“Caro amigo: desejo que você prospere em tudo e que a saúde do seu corpo esteja tão bem quanto à de sua alma”(1Jo 1,2).

Reze com o salmo: “Ó Deus, tu és o meu Deus, por ti madrugo. Minha alma tem sede de ti, minha carne te deseja com ardor, como terra seca, esgotada e sem água. Minha alma está ligada a ti, e tua direita me sustenta” (Sl 63,2.9).

Deixe ecoar, em seu coração, as palavras do Senhor: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35).

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