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“…atividade jornalística é uma das mais espinhosas, pois tem como obrigação denunciar diariamente as mazelas humanas…”

 

A enorme repercussão pela morte em acidente de helicóptero do jornalista Ricardo Boechat, do Grupo Bandeirantes de Comunicação, não se deve apenas às condolências pela perda de um ser humano exemplar, pai, marido e trabalhador extremamente dedicado à profissão. A grande maioria das pessoas, que sequer conhecia as virtudes pessoais do profissional, sente pela perda de uma referência no jornalismo nacional, de uma voz forte em defesa dos interesses coletivos e também de sua capacidade de se indignar e, assim, representar com palavras muito claras e objetivas o sentimento coletivo de grande parcela da população.

É obvio que não são todos os que compartilham o sentimento da perda, pois os profissionais que expressam suas opiniões de forma sincera quase sempre conquistam inimigos, a maioria de políticos complicados ou lideranças que defendem interesses escusos. Afinal, uma parcela das pessoas que acompanha o noticiário nacional defende as opiniões expressadas, assim como a liberdade de manifestação do pensamento, desde que estas sejam coincidentes com seus interesses e objetivos. Caso contrário, em vez de elogiar a coragem comprovada diariamente, preferem desqualificar o profissional.

A atividade jornalística é uma das mais espinhosas, pois tem como obrigação denunciar diariamente as mazelas humanas, empresariais e dos governos, apontar os erros praticados, explicitar os crimes cometidos, divulgar as falcatruas escondidas, escancarar as más intenções subliminares e levar a público as muitas falhas e desmandos que se repetem nos mais variados campos de atividade. Ainda que a grande maioria tenha a imprensa como ferramenta essencial ao exercício da cidadania, os muitos que tem algo a esconder são sempre inimigos declarados e procuram exercer todas as formas de pressão possíveis.

Com Ricardo Boechat não foi diferente, pois mesmo com o respeito e admiração de seus pares, da enorme audiência alcançada em todas as emissoras em que atuou e também nos programas jornalísticos que dirigiu com maestria, ele sempre foi vítima de aleivosias, ofensas, injúrias e calúnias, além é claro das ameaças recorrentes feitas pelos mais covardes. Entretanto, o talento e a inteligência, além da enorme sabedoria e o domínio pleno da profissão fizeram dele um ícone inimitável e absolutamente insubstituível, pois até mesmos seus detratores são obrigados a reconhecer que o jornalismo brasileiro fica muito mais pobre com sua ausência.

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